Lucro trimestral do Banco de Fomento cai 44% pressionado pelos juros
O banco promocional do Estado está mais pequeno (-4% no activo total), mas continua a crescer em trabalhadores (221 pessoas, mais 31 do que há um ano) e na actividade, garante a administração dirigida por Gonçalo Regalado, no cargo há dez meses. Segundo as contas apresentadas esta quinta-feira em Lisboa, relativas aos três primeiros trimestres deste ano e desta administração, o Banco Português de Fomento viu o efeito da descida das taxas de juro na redução do lucro, que caiu 44% em termos homólogos, para 9,8 milhões de euros. Em grande medida, explica o banco, deve-se ao impacto da redução dos juros na margem financeira (a diferença entre o juro que o banco cobra pelo crédito e o que ele próprio banca para se financiar), o que levou o produto bancário a baixar 2,5%, para 38,3 milhões de euros.No entanto, salienta Gonçalo Regalado, o financiamento garantido pelo Banco Português de Fomento (BPF) às empresas foi de 5150 milhões de euros até Setembro, dez vezes mais do que em todo o ano de 2024 (539 milhões de euros). Até final do ano, o BPF quer atingir 6000 milhões de euros (entre garantias, instrumentos de capital, dívida e fundos de investimento).”Esperamos ter [em 2025] o melhor ano de produção do grupo excluindo o ano da covid [2020]”, disse o presidente executivo do BPF, Gonçalo Regalado, na conferência de imprensa em Lisboa.Questionado sobre a redução do objectivo anterior, em mil milhões de euros, Regalado respondeu que há “operações de grande dimensão” que podem passar para 2026.Segundo explicou, há financiamentos que não dependem só do banco mas também de outras entidades para serem executados (o que pode ser este ano ou nos primeiros meses de 2026), pelo que o banco decidiu ser mais cauteloso na meta de final do ano.”Não temos dúvidas de que os 1.000 milhões de euros chegarão, mas não está nas mãos do banco fazer-se neste ano civil”, disse.Quanto a crédito problemático, em Setembro, o BPF tinha 1.047 milhões de euros de empréstimos em incumprimento.Segundo o banco, o malparado é sobretudo stock herdado do passado e tem havido pouco malparado novo.Além disso, mais de 90% do crédito em incumprimento tem imparidade registada (incluindo 450 milhões de euros em que foi usado o aval do Estado).Gonçalo Regalado disse hoje acreditar que parte importante do malparado será possível recuperar, pois 60% das empresas com crédito malparado continuam a operar e mais de 80% do montante são créditos de valor relativamente pequeno (cada crédito em incumprimento é em média de 60 mil euros).”Só faremos venda de carteiras e write-off [limpar esses créditos malparados do balanço do banco, registando a perda e eliminando os valores das contas] se sentirmos que não foi possível este processo de recuperação”, afirmou.Ainda quanto a resultados, o BFP teve lucros de 9,8 milhões de euros até Setembro, menos 44% do que no mesmo período de 2024. O activo total desceu 4%, para 706,8 milhões de euros.Segundo Gonçalo Regalado, tanto o lucro como o produto bancário são os “necessários” para um banco que tem por objectivo apoiar a economia.Para o gestor, seria relativamente fácil aumentar a rentabilidade com a subida de encargos como comissões, mas isso significaria um “imposto sobre as empresas” que acedem a financiamento, garantias e instrumentos de capital do BPF.”Não temos a menor dúvida de que temos é de prestar contas aos accionistas do banco que são os cidadãos e que o que querem é a economia a crescer (…) Isso é muito mais importante do que o resultado banco ser 10 ou 15 milhões de euros”, afirmou.Segundo Regalado, os accionistas do banco (o Estado directamente e entidades estatais) têm a mesma interpretação e que por isso é que não tem havido distribuição de dividendos. Considerou ainda que se no futuro vierem a ser distribuídos serão sempre valores marginais porque o lucro não é dos indicadores estratégicos do banco, ainda que o banco tenha de ser gerido de forma sustentável.Ainda até Setembro, os custos operacionais foram de 19 milhões de euros (mais 2,5% nos custos com pessoal e 1,4% nos gastos gerais e administrativos).O BPF tinha cerca de 221 funcionários em Setembro, mais 31 do que um ano antes, e quer continuar a contratar mais.O grupo Banco Português de Fomento (100% detido pelo Estado português) foi criado com o objectivo de promover a modernização das empresas e o desenvolvimento económico do país, financiando investimentos com empréstimos e participando em projectos como accionista. A instituição também gere recursos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).No início deste ano, o então ministro da Coesão Territorial, Castro Almeida, defendeu no Parlamento que o banco não teve o impacto esperado e prometeu relançá-lo. Em Fevereiro, entrou em funções a nova administração, com Gonçalo Regalado como presidente executivo.








