Reserva Federal volta a cortar juros: descida é de 0,25 pontos
Uma Reserva Federal (Fed) dividida e com menos acesso do que o habitual a indicadores económicos fundamentais decidiu realizar mais um corte de 0,25 pontos percentuais nas suas taxas de juro de referência, numa tentativa de contrariar os primeiros sinais de abrandamento do mercado de trabalho nos EUA.A entidade liderada por Jerome Powell revelou, no comunicado publicado esta quarta-feira ao fim da reunião de dois dias do comité que define a política monetária, que apesar de a incerteza acerca do cenário económico se manter elevada e de a inflação continuar a estar “de certo modo alta”, o factor mais preocupante neste momento está no agravamento dos riscos negativos para o emprego.E, por isso, mesmo com a taxa de inflação homóloga ainda na casa dos 3% – ou seja, distante da meta de 2% definida pelo banco central – a Fed baixou de novo as taxas em 0,25 pontos percentuais, colocando-as no intervalo entre 3,75% e 4%.Esta descida nos juros dificilmente chegará para satisfazer por completo Donald Trump que, desde que tomou posse no início deste ano, tem vindo a pressionar a autoridade monetária a baixar mais rapidamente as taxas de juro. Mas, ao mesmo tempo, também representa um passo demasiado audaz para aqueles que temem um ressurgimento das pressões inflacionistas provocadas pelas tarifas introduzidas precisamente pela Casa Branca.Esta diferença de opiniões ficou evidente na votação dos membros do comité de política monetária da Fed. Um dos seus membros, Stephen Miran, que até há poucas semanas era conselheiro económico na Casa Branca e foi recentemente empossado no cargo por Donald Trump, defendeu que a Fed deveria realizar um corte de taxas de maior dimensão, de 0,5 pontos percentuais.No lado oposto, o presidente da Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, defendeu que o melhor seria a Fed não realizar qualquer movimento nas taxas de juro, tendo em conta o actual nível da inflação.Entre os outros membros da Fed foi possível chegar a um meio termo: o de continuar a realizar nesta fase descidas de juros modeadas, que permitam à autoridade monetária adaptar-se no caso de uma viragem mais repentina da economia e dos preços.No entanto, para poderem reagir atempadamente, os responsáveis da Fed enfrentam neste momento uma dificuldade acrescida. Devido ao bloqueio existente no Congresso à aprovação de uma extensão das autorizações de despesa do Governo Federal, a produção pelas autoridades estatísticas de alguns dos dados mais relevantes para as decisões da Fed está actualmente suspensa.Por exemplo, os últimos dados oficiais do emprego a que os responsáveis pela política monetária remontam ao mês de Agosto. Algo que obrigou a que, no comunicado emitido, a Fed tivesse de dizer de forma prudente que a sua avaliação de que a economia continua a crescer a um ritmo moderado é baseada naquilo que “os indicadores disponíveis sugerem”.Foi por causa desta divisão dentro da Fed e da falta de dados oficiais que, na conferência de imprensa que se seguiu à decisão, Jerome Powell, fez questão deixar alguns alertas para aqueles que, nos mercados, parecem estar convencidos que um novo corte nas taxas de juro está já a caminho em Dezembro.“Uma nova redução da taxa de juro na reunião de Dezembro não é um dado adquirido. Longe disso”, disse Powell, numa frase que, em minutos, chegou para alterar o ambiente nos mercados accionistas.“Numa altura em que temos tensão entre os dois nossos objetivos [estabilidade de preços e pleno emprego], temos opiniões fortes diferentes dentro do comité. E a conclusão que podemos retirar disso é que ainda não tomámos uma decisão para Dezembro”, afirmou o presidente da Fed, que logo a seguir deu a entender que a falta de dados estatísticos pode também contribuir para a Fed fazer uma pausa. “Se existir um nível muito alto de incerteza, então isso [a falta de dados estatísticos] pode ser um argumento a favor de mais prudência nas decisões”.










