As fraudes <em>online </em>estão onde menos esperamos
Nem o PÚBLICO escapa a esta moda em que o estilo original das suas páginas é copiado para “vender” lucros milionários, com imagens de figuras públicas a prometerem mundos e fundos sem nunca terem dado autorização para que o seu nome fosse utilizado para semelhantes fins.Todas as semanas há pelo menos um leitor que nos alerta para uma página no Facebook ou fora dele que usa a marca do PÚBLICO e a associa a esquemas montados para burlar ou defraudar milhares de utilizadores, promovendo, por exemplo, plataformas não certificadas de criptomoedas.Ricardo Araújo Pereira, Mário Centeno, Manuel Luís Goucha ou Cristiano Ronaldo são exemplos de figuras famosas que se vêem amiúde envolvidas nestes esquemas. Num trabalho que publicamos neste sábado, damos como exemplo um vídeo (feito com recurso a inteligência artificial) em que Cristiano Ronaldo divulga uma plataforma que, perante um depósito de 250 euros, possibilita obter um lucro de 4000 euros num mês. “Além do muito dinheiro que tenho, também faço investimentos e estou a partilhar com as pessoas para elas também poderem ganhar dinheiro”, dizia o futebolista.O mesmo trabalho dá conta de uma análise durante a qual foram seguidos 169 destes anúncios falsos em “nome” de Mário Centeno a anunciar várias plataformas de investimento que se estima terem chegado a mais de um milhão de utilizadores no Facebook e no Instagram.Cada uma destas individualidades pode queixar-se à Anacom (a entidade que coordena a execução do Regulamento dos Serviços Digitais, por decisão do Governo) ou directamente à Meta, mas é preciso ter a noção de que, em 2024, os anúncios, incluindo estes, representaram muito mais de 90% do rendimento da empresa.A história em que apostamos vai além das fraudes digitais. Como complemento, conta também o caso do secretário de Estado da Digitalização, Bernardo Correia, que saiu da Google para o Governo, mantendo-se como accionista da gigante tecnológica com mais de meio milhão de euros em acções.A tecnologia, e sobretudo a inteligência artificial, arrisca-se a ser, no futuro, o que algumas obras públicas e privadas foram no passado. Um sorvedouro de dinheiro do Estado e também das famílias, em que uma subida de 25% face ao orçamento inicial era considerada normal e incontestável. As fraudes digitais surgem de mansinho e enganam-nos com as aparências, mas são pura ganância que implica ter os olhos bem abertos e atenção redobrada. Como diria a raposa ao Principezinho de Saint-Exupéry: muitas vezes, “o essencial é invisível aos olhos”.









