CIÊNCIA

A Porto Design Biennale é sobre o presente mas quer deixar lastro “para sempre”

“O Tempo é Presente. Inventar o Comum” é o mote da quarta edição da Porto Design Biennale, evento que une os municípios de Matosinhos e do Porto à ESAD Ideia – Associação para Investigação em Design e Arte, e que arrancou esta quinta-feira com uma exposição inaugural na Casa do Design. Nesta edição, Angela Rui, curadora-geral do evento, Matilde Losi, curadora assistente, e Eleonora Fedi, curadora local, procuram promover o pensamento e o design enquanto ferramenta crítica e construtiva nas comunidades.Sem a presença habitual de Rui Moreira, presidente cessante da Câmara do Porto, foi Luísa Salgueiro a abrir a inauguração, que contou com a presença de artistas nacionais e internacionais. “O design e a cultura são essenciais no respeito democrático e na promoção de sociedades mais tolerantes. Em tempos em que crescem populismos, que sejamos nós também protagonistas da conciliação, do respeito recíproco e da promoção de valores essenciais para a liberdade humana”, sublinhou a autarca reeleita por Matosinhos.Nesta edição, o tempo não é visto como uma crise a superar, mas sim como uma oferta repleta de oportunidades. Reivindicado como “um dom partilhado e um espaço de pertença”, dá assim lugar a uma bienal que rompe com o monopólio do formato expositivo, abrindo-se a outras modalidades de activação e de participação. “Nestes dias, quantas vezes ouviram alguém dizer que não tem tempo? A dimensão e o sentido do tempo, principalmente a nível qualitativo, já não nos pertencem”, começou por dizer Angela Rui, designer italiana.Para a curadora-geral da Porto Design Biennale, “o design não está presente, aqui, como uma forma prática de resolver problemas”, antes como proposta de novas maneiras de usar o tempo e assim construir comunidade. Em colaboração, os 60 artistas (40 dos quais seleccionados através de uma open call) convocados, assim como associações e comunidades locais, garantem “diversidade e participação colectiva”. Desse processo, surgiram sete projectos distintos.“Estes projectos, também chamados de happisodes, são processos vivos, desenvolvidos em estreita colaboração entre designers convidados, comunidades e associações locais e, naturalmente, os municípios. Constituem-se como uma oferta verdadeiramente co-criativa aos cidadãos, que permitem criar condições para a regeneração da vida social e colectiva dos espaços”, rematou Angela Rui.Processo vivoAs emoções destacam-se como a mais poderosa tecnologia na construção de relações, entendem as curadoras, e por isso, nesta edição da Porto Design Biennale, os happisodes colocam “alegria, esperança e cuidado colectivo na construção do comum”, um espaço onde o tempo é restruturado de outras formas.​Com o objectivo de demonstrar que o tempo não é realmente aquilo que pensamos ser, segundo Eleonora Fedi, os designers priorizaram “colectivamente as dimensões relacionais, colaborativas e qualitativas da experiência partilhada, em detrimento da lógica extractiva do capitalismo contemporâneo”.“Estes são processos muito longos e construídos em diálogo contínuo com o território e os seus múltiplos actores. Neste exercício de colectividade, podemos acompanhar de perto o desenvolvimento destas infra-estruturas sociais que ligam pessoas, associações e municípios através de gestos de escuta, de cuidado e de partilha”, explicou a curadora local.


A Arena Viva, um dos happisodes, encontra-se nas imediações da Casa do Design, em Matosinhos
Tiago Bernardo Lopes

A partir desta quinta-feira, In Synchro, em colaboração com a associação ALADI, que “acolhe pessoas com deficiência intelectual”, New Diner, que transformou um restaurante na Baixa portuense num espaço de partilha, Pole Pole, um “espaço de autoconstrução geracional”, Arena Viva, um “espaço de transformação de emoções”, Serpentina, um “projecto-piloto de co-criação e transformação urbana”, House of Echoes, que “funciona como um espaço para educação musical, e a Comunoteca, um “ponto de encontro” na Biblioteca Popular de Pedro Ivo, traduzirão na prática, nas ruas de Matosinhos e do Porto, as intenções da bienal.Apesar do encerramento agendado para 14 de Março de 2026, o objectivo passa por prolongar esta quarta edição o máximo de tempo possível, “talvez para sempre”, promovendo a participação das comunidades.Texto editado por Inês Nadais

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