“Teste do pezinho”: este ano já nasceram mais 2000 bebés do que nos primeiros nove meses de 2024
Nos primeiros nove meses deste ano nasceram mais 2173 bebés do que no mesmo período de 2024, ano que ficou marcado por uma descida na natalidade em Portugal. Os dados do “teste do pezinho” divulgados a meio deste ano pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) já davam conta de uma possível melhoria, que é agora confirmada numa actualização enviada ao PÚBLICO por aquele instituto. Até 30 de Setembro, foram estudados 65.410 recém-nascidos no âmbito Programa Nacional de Rastreio Neonatal.Apesar de estes dados dizerem respeito ao número de recém-nascidos estudados no âmbito do programa e não ao número total de nascimentos em Portugal, o “teste do pezinho” rastreia algumas doenças graves em todos os recém-nascidos e é um forte indicador, quase em tempo real, do aumento ou diminuição da natalidade de ano para ano — a cobertura do programa é actualmente superior a 99% dos recém-nascidos.Os dados do INSA indicam que Julho foi o mês em que se registou o maior número de nascimentos (8118), seguido de Setembro (7886) e Janeiro (7670). Foi no mês de Fevereiro (6371) que nasceram menos bebés.À semelhança do que aconteceu em 2024, Lisboa foi, sem surpresas, o distrito com mais bebés estudados, num total de 19.891, um valor acima daquele que foi registado no mesmo período do ano passado (19.457). O Porto foi o segundo distrito com mais rastreios: 11.650, também um valor mais alto do que o de 2024 (11.121). Como também aconteceu no ano anterior, seguiram-se os distritos de Setúbal (5229), Braga (4880) e Faro (3310).Na ponta oposta, foi em Bragança que se verificou o número mais baixo de rastreamentos. Foram 420 entre Janeiro e Setembro. Portalegre, com 440 testes, Guarda (489) e Vila Real (765) estão também no fundo da tabela de nascimentos.O número de bebés estudados através deste programa estava a crescer desde 2021, depois de uma quebra nos anos da pandemia de covid-19. O ano de 2024 marcou, assim, a primeira descida, ainda que ligeira, desde o período pandémico, tendo o número total de bebés rastreados baixado de 85.764 em 2023 para 84.631 em 2024.Em 2022 e 2023, aliás, Portugal voltou a ultrapassar a barreira dos 80 mil nascimentos, após a quebra histórica da natalidade em 2021. Antes deste mínimo registado em 2021 (79.217 nascimentos), o número mais baixo tinha sido verificado em 2014, com 83.100 exames realizados no país, e o mais alto no ano de 2000 (118.577), segundo revelou a agência Lusa no ano passado. Em 2024, apesar de ter sido registada uma ligeira diminuição, o país terminou o ano com 84.631 recém-nascidos estudados.O teste de rastreio de algumas doenças graves, o chamado “teste do pezinho”, é realizado desde 1979 no âmbito do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN). Deve ser feito entre o terceiro e o sexto dia de vida do recém-nascido. Antes disso, os valores dos marcadores existentes no sangue do bebé podem não ter valor de diagnóstico e após o sexto dia alguns marcadores perdem sensibilidade, havendo o risco de atrasar o início do tratamento, segundo explica o INSA.Com uma picada no calcanhar do bebé, colhe-se sangue para o papel de filtro da ficha de colheita, que, depois de seco, é enviado, pessoalmente ou pelo correio, para a Unidade de Rastreio Neonatal.O teste permite detectar algumas doenças graves — desde o hipotiroidismo congénito à fibrose quística, atrofia muscular espinal e 24 doenças hereditárias do metabolismo — que clinicamente são muito difíceis de diagnosticar nas primeiras semanas de vida e que, mais tarde, podem provocar atraso mental, alterações neurológicas graves, alterações hepáticas ou até situações de coma. Segundo o instituto, os resultados deste rastreio têm sido muito positivos e milhares de doentes foram “rastreados e tratados logo nas primeiras semanas de vida, evitando-se graves problemas de saúde”.










