Festa Mundial da Animação continua a animar Vila Velha de Ródão
Pelo terceiro ano consecutivo, a Casa da Animação vai realizar a Festa Mundial desta arte das imagens em movimento em Vila Velha de Ródão, mas desta vez sem extensão à capital do distrito, Castelo Branco.Já na sua 24.ª edição, desde que em 2002 Abi Feijó lançou a iniciativa, na qualidade de presidente da Associação Internacional do Cinema de Animação (Asifa), a Festa, que decorre desta quinta-feira a 28 de Outubro, vai manter o figurino habitual, confirma Regina Machada, vice-presidente da Casa da Animação, com sede no Porto. “Vamos continuar a apostar nas actividades pensadas para o público infanto-juvenil de Vila Velha de Ródão do agrupamento de escola local, mas vamos também promover masterclasses e workshops para os estudantes e profissionais do sector”, acrescenta a dirigente. E dá como exemplo desta atenção à componente profissional o lançamento de um portfolio review (dia 24): a “oportunidade de reunir participantes na Festa com os profissionais do sector presentes”, referindo-se a convidados como o casal brasileiro, actualmente radicado em Paris, Isabela Littger-António Soares Neto, que irão dirigir, respectivamente, uma masterclass sobre a criação de histórias, a partir da curta Blind Eye (2019), e um workshop sobre a elaboração de storyboard.
Também convidados para a Festa deste ano, estarão em Vila Velha de Ródão Rodrigo Goulão de Sousa, animador e realizador português igualmente radicado em França, e o historiador e dirigente francês Xavier Kawa-Topor, actual responsável pela NEF Animation, dedicada à investigação e criação artística no sector da animação naquele país.
O novo troféu do PNA é um mutoscópio recriado por Abi Feijó
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Estes três convidados vão ainda compor o júri que vai decidir o vencedor, na categoria Profissionais, dos oito nomeados ao Prémio Nacional da Animação (PNA), já em 12.ª edição.Quatro prémios e um troféu novoSão eles: A Cada Dia Que Passa, de Emanuel Nevado; Lina, de Margarida Madeira; Paulinha, de Ana Marta Mendes; Sweet Spot, de Jorge Ribeiro e Paulo Patrício; One-way Cycle, de Alicia Núñez Puerto; Amarelo Banana, de Alexandre Sousa; Porque Hoje É Sábado, de Alice Eça Guimarães; e Cão Sozinho, de Marta Reis Andrade. Tudo produções do corrente ano, com excepção do primeiro, finalizado em 2024 – um dado que atesta a vitalidade do sector.As duas outras secções competitivas, com filmes de Escolas e de Oficinas, terão em concurso, respectivamente, 14 e 11 títulos, igualmente produzidos nos últimos dois anos. Vão ser avaliados pelo argentino Juan Pablo Zaramella, autor da curta Luminaris, recordista de prémios a nível mundial, entre os quais o do Público e da Crítica do Festival de Annecy de 2011 (e que fará uma masterclass sobre animação em stop-motion), pela realizadora russa Varya Yakovleva, que dará uma lição sobre ilustração, sob o mote Imperfeição e liberdade, e pelo português António Soares Neto, que dirigirá também um workshop sobre storyboard.A exibição de filmes é, de resto, o foco principal da programação, durante os seis dias da Festa, a decorrer integralmente na Casa das Artes e Cultura do Tejo. Aqui serão anunciados, ao final da tarde de sábado (dia 25, às 19h), os vencedores do PNA (nas três categorias e na do público). Na mesma sessão, vai ser assinalada a passagem dos 30 anos sobre a curta de Pedro Serrazina, Estória do Gato e da Lua (1995), com a exibição do filme e um pequeno recital de música e poesia com Rui David e Isaque Ferreira.Este ano, os quatro vencedores do prémio vão receber um troféu especialmente concebido por Abi Feijó (realizador de filmes como Oh, que Calma! e Os Salteadores) para a Festa: a recriação de um mutoscópio, um aparelho da era do pré-cinema inventado em 1894 – um ano antes do cinematógrafo dos Irmãos Lumière –, nos Estados Unidos, pela dupla de pioneiros William Kennedy Dickson e Herman Casler, que chegaram a trabalhar com Thomas Edison. Trata-se de um dispositivo que oferecia imagens em movimento, mas apenas para um utilizador de cada vez, à imagem do cinetoscópio de Edison.Além dos filmes já citados de Abi Feijó, os troféus evocarão duas outras produções deste autor portuense, na passagem de datas “redondas” sobre a sua estreia: História Trágica com Final Feliz (Regina Pessoa, 2005) e Amélia e Duarte (Alice Guimarães e Mónica Santos, 2015).
Os filmes premiados vão ser depois exibidos na tarde de domingo (17h), dia em que, na sessão matinal dedicada a um público mais familiar (11h), será mostrada a longa-metragem francesa Calamidade (Rémi Chayé, 2020), que ficciona a infância da heroína do Oeste americano Calamity Jane (1852-1903), que já se apresentava como “uma menina valente e destemida” no estado do Oregon.










