Dave Franco e Allison Williams exploram formas de luto em 'Sempre Tu'
“Não há forma de evitar o luto na vida, por isso todos temos algo em que nos basear em termos de dizer adeus a alguém a quem não estávamos prontos para dizer adeus”, afirmou Allison Williams, que protagoniza o filme no papel de Morgan Grant.
“O facto de vermos tanto do luto da Morgan a passar por tantas fases diferentes foi um privilégio”, considerou a atriz, que dá corpo a uma mãe que tem de lidar com uma perda tremenda e os seus efeitos devastadores na filha adolescente, Clara (Mckenna Grace).
“A tristeza, a raiva, a fúria, a confusão, a embriaguez, ela passou por tantas versões diferentes disto”, indicou. “Senti-me muito sortuda por poder poder mostrar esta viagem colorida”.
Williams explicou que Morgan não consegue ter um luto limpo, devido às circunstâncias. “Penso que é por isso que a raiva é o que lhe vem ao de cima mais facilmente, porque está triste e depois fica ressentida por isso, porque não não pode apenas estar triste, há outra coisa ali.”
A forma como Morgan Grant expressa o luto é muito diferente daquilo que o ator lusodescendente Dave Franco mostra com o seu personagem, Jonah Sullivan.
“O Jonah é o tipo de homem que reprime as grandes emoções que sente”, descreveu o ator. “É um tipo muito simpático e pensa nos outros antes de pensar em si próprio, para seu detrimento”, continuou.
Este hábito de “fingir que tudo está bem quando não está” transforma-se ao longo da história, com Jonah a abraçar o que realmente sente e a correr o risco de pedir o que quer mesmo.
“Esta é uma das maiores capacidades de Colleen Hoover, as dinâmicas familiares complicadas, que acho que qualquer espetador será capaz de se identificar com uma destas personagens e encontrar algo muito relacionável”, afirmou Franco.
A complexidade está patente na relação entre Morgan e Clara. “No início do filme, vemos um par de mãe e filha que parecem próximas, mas não se sentem próximas”, realçou Allison Williams. “É como uma proximidade performativa”.
Para o realizador Josh Boone, conhecido por “A Culpa é das Estrelas”, trazer a história escrita por Colleen Hoover para o ecrã foi uma oportunidade de explorar temas que não têm sido mostrados com tanta frequência como antes — tais como o luto na adolescência e a relação entre mães e filhas.
“Penso que as coisas mais importantes na vida das pessoas são as suas famílias, as pessoas que amam, os seus parceiros”, disse à Lusa. “Já não há muitos filmes no cinema que lidam com estas coisas”, apontou. “Gostaria de ver mais filmes como este que são para adolescentes verem, e para mães e filhas, e que são sobre coisas que importam às pessoas.”
Boone tem uma filha de 14 anos e disse que, de certa forma, fez o filme para ela. “Lembro-me de como era ser adolescente e vejo-o através da minha filha”, contou. “Tenho uma irmã que tem uma relação complicada com a minha mãe, por isso estou sempre a inspirar-me nas minhas próprias relações familiares”.
O realizador não trabalhou diretamente com Colleen Hoover, que esteve mais próxima dos produtores e tem crédito de produtora executiva no filme, mas disse que a autora gostou do resultado final.
“Sinto-me feliz por este livro existir e nos ter dado a oportunidade de pôr um filme sobre pessoas no cinema”.
“Sempre Tu” chega às salas portuguesas na quinta-feira e estreia-se nos Estados Unidos na noite seguinte.
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