PANGEA CULTURAL

Antes do encontro com Trump, Zelensky reúne-se com fabricantes de armamamento

A agenda do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que já chegou aos Estados Unidos, está recheada. Ainda antes de se encontrar com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na tarde desta sexta-feira, Zelensky teve, durante a manhã, uma ronda de encontros com responsáveis do sector da energia e do armamento – incluindo a empresa que fabrica os sistemas Patriot e Tomahawk, a Raytheon.“Discutimos a capacidade de produção da Raytheon, potenciais vias para a nossa cooperação, para aumentar a defesa aérea ucraniana e capacidades de longo alcance, e as perspectivas de uma produção conjunta ucraniana e norte-americana”, escreveu o líder ucraniano, no X, depois da reunião com responsáveis da empresa. Sem revelar muito mais sobre a conversa, agradeceu à empresa a “disponibilidade para continuar a apoiar a Ucrânia”.Zelensky também se encontrou com representantes da empresa Lockheed Martin, para lhes dar conta das “necessidades específicas de sistemas de defesa aérea e mísseis compatíveis, assim como de aeronaves F-16”. “As nossas defesas aéreas precisam de reforço agora mesmo”, sublinha.Encontrou-se ainda com responsáveis do sector da energia, incluindo com o secretário do Departamento norte-americano de energia, para “discutir projectos de parceria no sector”. Essa é também uma das prioridades de Zelensky, que acusa a Rússia de uma “campanha sistemática de terrorismo contra o sector energético” ucraniano e refere a violência dos últimos ataques russos, com centenas de drones e dezenas de mísseis.Por isso, insiste: “Cada sistema de defesa aérea parra a Ucrânia é importante, porque salva vidas”.Uma campanha ucraniana por Tomahawks​Assim que chegou a Washington, Zelensky referiu a rapidez com que Moscovo “tentou recuperar o diálogo assim que começou a ouvir sobre Tomahawks”, sistemas de mísseis de longo alcance que poderiam dar à Ucrânia a capacidade de atingir alvos russos a grande profundidade.


É possível que este seja um dos tópicos na agenda do encontro entre Zelensky e Trump, esta sexta-feira, refere o The Guardian.Especulava-se, há semanas, que o encontro poderia resultar num acordo para fornecer os sistemas Tomahawk. No início da semana, e questionado sobre o assunto, Trump disse que era uma questão “a ver”: “Posso fazê-lo”. Mas, depois da chamada telefónica com Vladimir Putin, na quinta-feira – onde o homólogo russo lhe terá dito que “não gostava” da ideia – Trump respondeu de outra forma: “Precisamos deles, por isso não sei o que podemos fazer acerca disso”.Rob Lee, académico do Instituto de Investigação de Políticas Externas, acredita que os EUA “não têm muitos Tomahawks”, disse ao The Guardian. Este sistema é normalmente usado a partir de navios ou submarinos, mas há a possibilidade de os lançar de terra, o que seria mais benéfico para a Ucrânia. “Há sistemas lançadores terrestres, mas as forças armadas norte-americanas não têm muitos”, acrescenta.Não se conhece ao certo o conteúdo da primeira conversa entre os Trump e Putin desde Agosto, além da descrição do norte-americano: foi “boa e produtiva”. A entrega de sistemas Tomahawk é uma das linhas vermelhas de Moscovo e é altamente improvável que Trump avance com a decisão antes de se encontrar com Putin, na Hungria, nas “próximas semanas”.Putin encontrou-se esta manhã com o Conselho de Segurança russo, importante órgão de avaliação e decisão sobre segurança, para lhe dar um “resumo completo” do que foi falado com o Trump, escreve a Reuters. Há algumas semanas que tem de lidar com a escassez de combustíveis e preços altos num país que é dos maiores produtores de crude do mundo, fruto de ataques de precisão ucranianos a refinarias russas, possíveis desde que Trump autorizou a partilha de informações secretas norte-americanas para ajudar a Ucrânia.

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