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As duas moções de censura contra o Governo de Lecornu não tiveram votos para avançar

O Governo de Sébastien Lecornu sobreviveu, nesta quinta-feira, à sua primeira prova de fogo: as duas moções de censura apresentadas pela França Insubmissa e União Nacional acabaram rejeitadas pela Assembleia Nacional. Para este desfecho muito contribuiu a suspensão da polémica reforma das pensões, anunciada no início desta semana, que valeu ao primeiro-ministro o voto contra dos socialistas e a sobrevivência política do seu Governo.A primeira moção a ser votada, a da França Insubmissa, foi rejeitada com 271 votos a favor – a apenas 18 votos dos 289, uma maioria simples no Parlamento, de que precisava para avançar. Meia hora depois, a moção da União Nacional e da União das Direitas pela República acabaria rejeitada por 144 votos, depois de os insubmissos já terem anunciado que não alinhariam com os partidos de direita.Momentos antes da votação, Sébastien Lecornu dirigiu-se aos deputados com a confiança de quem dirige um Governo “apoiado por um número suficientemente grande de deputados para se manter”. Reafirmando que o seu executivo “não tem medo das pessoas”, interpelou os dois partidos que avançaram com moções de censura – a França Insubmissa e a União Nacional – de forma directa para lhes dizer que se tratava de um “momento da verdade” em que se apoiava a “ordem republicana” ou “a confusão”.“Ou entramos em debates ou entramos de uma vez por todas na crise política, e isso é algo que vocês têm de assumir”, afirmou.Os partidos já tinham assumido, então, o seu sentido de voto. Os partidos da chamada “base comum”, próxima de Macron, já tinham anunciado que iriam votar contra a moção de censura, em nome da estabilidade. O Liberdades, Independências, Ultramar e Territórios (partido LIOT na sigla original) disse que a maioria dos seus deputados – o grupo parlamentar é composto por 22 eleitos – votaria contra.Cabia ao Partido Socialista o voto decisivo. E, depois de tantas cedências do Governo de Lecornu – a principal foi a suspensão da reforma das pensões, que aumentaria a idade da reforma de 62 para 64 anos –, a maioria dos socialistas decidiu votar contra a censura (apenas sete deputados votaram a favor). Mas não é um cheque em branco. Da tribuna, o deputado Laurent Baumel mostrou-se solidário com o “sentimento” de “outros colegas de esquerda” que não votaram da mesma forma e pediu a Lecornu mais concessões em matéria de orçamento. Salientou que o voto desta quinta-feira “não é um pacto de não-censura”: “Não nos comprometemos com nada e, acima de tudo, não nos comprometemos com votar ou aprovar um orçamento de recessão e injusto que os seus ministros nos apresentaram.”O primeiro-secretário dos socialistas, Olivier Faure, disse, mais tarde, à BFMTV, que o partido não vai avançar com uma moção de censura “enquanto o Parlamento for respeitado”.O primeiro-ministro já tinha assumido, na terça-feira, durante o seu primeiro discurso na Assembleia Nacional, que abdicaria de usar o artigo 49.3.º da Constituição – que lhe permitiria fazer avançar a aprovação do orçamento mesmo sem o voto a favor do Parlamento —, uma forma de responsabilizar os deputados franceses por cada medida que constar no documento final. A proposta de orçamento que apresentou no início da semana, reafirmou vezes sem conta, foi feita para que o debate “pudesse realizar-se”.


É essa a preocupação que está na cabeça de todos. A líder da União Nacional, Marine Le Pen, descreve o projecto como um “museu de todos os horrores que estão há anos guardados nas gavetas de Bercy”, o Ministério das Finanças. “Não é um ano em branco, é um ano negro para os franceses que trabalham e pagam impostos”, disse a líder de extrema-direita, que se mostrou “cada vez mais” impaciente por novas eleições.Já a deputada da França Insubmissa Aurélie Trouvé disse que a suspensão da reforma das pensões não passa de um “engodo” ou de uma “esmola” e que Emmanuel Macron deu uma missão “à nova direita”: a “de construir um Governo de derrotados”.Do seu lado, os ecologistas concordam com a leitura. A reforma das pensões é um “atraso cosmético” e o primeiro-ministro “não merece a confiança”. “Não censuramos por prazer, mas porque o seu Governo não responde ao que consideramos justo”, justificou a deputada Léa Balage El Mariki.

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