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Festival de Santo Tirso quer regressar à intimidade da guitarra clássica

Um concerto visual de homenagem a Carlos Paredes (1925-2004) e a atenção ao tema do momento, a inteligência artificial (IA), mas, acima de tudo, o regresso ao recital de guitarra na sua fórmula mais simples e mais próxima do público – são estes os focos da 28.ª edição do Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso (FIGST), que decorre entre esta quarta-feira e domingo, nas instalações da Fábrica de Santo Thyrso.


Óscar Flecha, guitarrista e professor argentino radicado em Portugal, ligado à fundação do festival e seu director artístico desde há três décadas, diz ao PÚBLICO que o programa deste ano, subordinado ao tema Confluências – O Som dos Encontros, tem por objectivo “voltar ao figurino mais clássico da guitarra como instrumento solista”, cujo intérprete experimenta “uma proximidade maior com o público”. E refere, como exemplo deste modelo, o concerto que o virtuoso australiano Ken Murray fará no sábado (dia 18, às 21h30) em homenagem a Carlos Paredes, ainda a celebrar o centenário do autor de Verdes Anos.


O quinteto de João Morais, O Gajo, vai tocar o álbum Trovoada a abrir o festival
DR

Numa relação com as outras artes, que o FIGST não quer abandonar, o recital de Ken Murray vai ser acompanhado pela estreia de uma curta-metragem de cerca de 20 minutos a fazer a ligação da obra de Paredes com a própria história do festival tirsense. O realizador do filme, Joaquim Pavão, também guitarrista e compositor, é, de resto, o comissário do festival para as artes paralelas à música.


Outro momento destacado por Óscar Flecha é o recital do cubano Joaquín Clerch (dia 17, às 21h30), que, sob o título De Bach a Piazzolla, irá percorrer vários séculos de música para guitarra, incluindo no reportório a obra do seu compatriota Leo Brouwer, um mestre consagrado da guitarra clássica (e que o Festival de Santo Tirso homenageou na edição de 2009).Também a solo, Pedro Rodrigues (dia 17, às 18h) fará um recital-conferência a explicar a história e a evolução do uso da guitarra clássica em Portugal ao longo do século XX.O Gajo da “trovoada”Mas vai ser com uma formação de banda que o 28.º FIGST vai abrir, esta quarta-feira (21h30): o quinteto de João Morais, O Gajo, apresenta em Santo Tirso o seu mais recente (e quinto) álbum de originais, Trovoada. Trata-se de um disco de fusão de ritmos contemporâneos com a tradição, no qual “uma sanfona, um cavaquinho, uma gaita-de-foles, um adufe e ainda uma secção rítmica lhe emprestam uma forte dose de groove”, diz a folha de sala.Óscar Flecha chama ainda a atenção para o concerto de encerramento do programa, com o duo franco-coreano Antoine Boyer & Yeore Kim, que associa “um intérprete fantástico de guitarra a uma tocadora de harmónica, especialmente conhecidos por navegaram pelas paisagens do gypsy jazz”.No alinhamento dos oito concertos do FIGST’25, Tiago Matías (dia 16, às 15h) interpreta uma combinação de cifras de viola e fantasias explorando a tradição da música europeia dos séculos XVII e XVIII, sob o mote Codex 97. No mesmo dia (21h30), os italianos Duosfera, formação fundada em 2018 pelo multi-instrumentista Daniele Fabio e pelo guitarrista Giulio Tampalini, vão interpretar um vasto reportório de diferentes épocas e origens, de Bach a Chaplin, de Bartók a Piazzolla, de Albéniz a De Falla.


Novamente nos recitais a solo, o espanhol Marcos Díaz (dia 17, às 15h) apresenta o programa Cantos e Danças, revisitando compositores como Agustín Barrios, Francisco Tárrega e Joaquín Rodrigo.No calendário de actividades paralelas, Óscar Flecha destaca a realização da mesa-redonda que, na tarde de domingo, porá em debate o mundo tão fantástico como problemático da IA. Sob o mote Entre notas e algoritmos, figuras como os guitarristas Ken Murray e Roberto Perez, o realizador Joaquim Pavão e o professor da Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD) Horácio Tomé-Marques, que é também comissário artístico do FIGST, irão apresentar os seus olhares sobre a aplicação da inteligência artificial ao sector da música.

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