Rússia acusa Khodorkovski e outros opositores exilados de planearem tomada do poder
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou esta terça-feira a abertura de um processo criminal contra o crítico exilado do Kremlin, Mikhail Khodorkovski, sob a acusação de ter criado uma “organização terrorista” e de planear uma tomada violenta do poder.De acordo com o FSB, mais de 20 pessoas estão a ser investigadas no mesmo caso, entre elas o dissidente Vladimir Kara-Murza, o ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasyanov e os economistas Serguei Aleksashenko e Serguei Guriev.A abertura do processo ocorre menos de duas semanas após a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, fórum de direitos humanos que reúne parlamentares de 46 países europeus, anunciar a criação de uma “plataforma de diálogo” com forças democráticas russas no exílio.Segundo o FSB, essa iniciativa estaria a ser apresentada por Khodorkovski como uma “liderança alternativa russa”. O órgão também acusa Khodorkovski, ex-magnata do sector petrolífero que chegou a ser o homem mais rico da Rússia, de financiar unidades paramilitares ucranianas com o objectivo de usá-las numa tentativa futura de tomada do poder.Khodorkovski negou as acusações e classificou o processo criminal como um sinal de que o Kremlin vê a iniciativa do Conselho da Europa como um “grande problema”.“Daí os novos casos sobre ‘tomada do poder’, as mentiras sobre ‘recrutamento’ e ‘armamento do exército ucraniano’”, escreveu no seu canal no Telegram.A Rússia deixou o Conselho da Europa em 2022, após enfrentar um processo de expulsão após a invasão da Ucrânia.O caso, porém, deve ter pouco impacto prático sobre os acusados, que vivem fora da Rússia e já estavam sujeitos a prisão caso retornassem ao país. Muitos deles já constam nas listas oficiais de “agentes estrangeiros”, extremistas e terroristas.Ainda assim, o anúncio demonstra a determinação de Moscovo em manter a pressão sobre os opositores exilados do Presidente Vladimir Putin, retratando-os como ameaças ao Estado e procurando neutralizar qualquer tentativa ocidental de lhes conferir legitimidade.Entre os investigados estão todos os membros do Comité Russo Anti-Guerra, grupo dissidente que se opõe à guerra na Ucrânia e que declarou na semana passada a sua intenção de participar activamente do diálogo promovido pelo Conselho da Europa.Khodorkovski cumpriu dez anos de prisão na Sibéria por acusações de fraude — consideradas politicamente motivadas por ele e por diversos países ocidentais —, antes de ser perdoado em 2013 e deixar o país.Desde 2022, Khodorkovski tem-se destacado como uma das principais vozes dos exilados russos no apoio a Kiev na guerra contra Moscovo. Pouco após o início do conflito, foi oficialmente classificado como “agente estrangeiro” pelas autoridades russas.










