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Oposição a Moedas fará avaliação caso a caso mas Chega diz-se já pronto para negociar

O apelo de Carlos Moedas, na hora da celebração da vitória eleitoral, na noite de domingo, foi claro. Deixando antever a necessidade de encontrar equilíbrios dentro da nova vereação por, mais uma vez, não ter conseguido obter a maioria absoluta no executivo camarário, apelou à “responsabilidade” da oposição. “Os lisboetas querem estabilidade na pluralidade desta cidade e ela exige muito de nós. Exige um esforço adicional de diálogo, de compromisso, de moderação”, disse o autarca reeleito da capital.A análise de Moedas é a constatação dos limites da sua acção para o próximo mandato, depois de ter passado a campanha eleitoral, bem como os últimos quatro anos, a queixar-se do “bloqueio” à sua acção por parte da oposição e em especial dos vereadores do PS. Isto apesar dos socialistas lhe terem viabilizado todos os orçamentos, abstendo-se. As últimas eleições não permitiram, porém, resolver tal impasse.Agora, com oito vereadores em 17, mais um do que no mandato que termina, a coligação encabeçada pelo presidente da câmara continua a estar em minoria. E, por isso, a precisar de estabelecer compromissos. Razão para Moedas ter feito um apelo aos partidos da oposição para que garantam “a estabilidade governativa que a cidade exige”, pedindo que se posicionem acima dos seus interesses e “acima das quezílias”.A verdade é que, neste momento, nenhum dos partidos da oposição que elegeram vereadores em Lisboa, Viver Lisboa (PS, Bloco, Livre e PAN), CDU e Chega, garante qualquer princípio de estabilidade governativa. Mas também nenhum se recusa, desde já, a excluir a aprovação de algumas medidas. Todos se comprometem, aliás, a avaliar caso a caso as propostas que forem sendo aprovadas.O vereador Pedro Anastácio, do PS, diz ao PÚBLICO que, “do ponto de vista da governabilidade, qualquer exercício antecipatório tem muito pouco interesse”, mas considera que o debate eleitoral “foi claro desse ponto de vista”. O socialista diz que Moedas terá no PCP um “parceiro preferencial” nas questões da higiene urbana, por criticar o papel das juntas, e “nas questões fiscais e para a segurança, na dimensão irresponsável, tem o Chega”.


Preferindo não se pronunciar sobre a viabilização de orçamentos, Anastácio diz que o PS assumirá um “compromisso de oposição séria, leal, construtiva e propositiva com a cidade”. Mas, nota, tendo em conta o que foi dito na campanha, “seria estranho que Moedas pretendesse ter o apoio do PS”.Na noite eleitoral, o presidente da edilidade da capital deixou no ar o pedido: “Para governar, precisamos de todos à volta da mesa”. E o “todos” inclui o Chega, partido que Moedas meteu no saco dos “extremos”, quando se posicionou como o “candidato dos moderados”, mas ao qual se abre agora como possível aliado. Os oito vereadores da coligação “Por ti, Lisboa” (PSD, CDS-PP e IL) garantirão a aprovação das suas propostas, se a eles se aliar o Chega.O que acontecerá mesmo que o processo de apuramento final dos resultados vier a determinar que o segundo deputado deste partido seja, afinal, atribuído à CDU. “Apesar disso, seremos determinantes no próximo executivo e, neste momento, é claro que o equilíbrio de forças se inverteu. Mesmo que o PSD não seja um partido de direita tradicional, há muitos aspectos em que partilhamos ideias comuns”, diz ao PÚBLICO Bruno Mascarenhas, cabeça de lista do Chega às autárquicas, referindo segurança, imigração e fiscalização de lojas como áreas de possível entendimento.“Há áreas em que discordamos por inteiro, mas nas áreas onde concordamos, seria pouco inteligente não nos entendermos. Podemos chegar acordo em várias coisas”, diz o vereador, sem deixar de reconhecer, porém, que há ainda um caminho a percorrer”. “Se isto se vai traduzir em algo mais concreto, ainda não sabemos. Vamos ver se há condições para entendimento”, diz.Já João Ferreira afirma também não excluir, à partida, a aprovação de algumas medidas da coligação “Por ti, Lisboa”, mas elas terão de ser avaliadas individualmente. “Nunca tivemos uma postura de bloqueio, de terra queimada. Haverá uma avaliação de acordo com propostas em concreto”, diz o vereador comunista reeleito. “Teremos uma postura crítica e construtiva. Carlos Moedas tem uma postura de quem tem maioria absoluta, mas a maioria dos lisboetas que votou não votou nele”.

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