Mundial2026: Roberto Martínez quer apuramento de Portugal frente aos adeptos
O seleccionador nacional, Roberto Martínez, assumiu, esta segunda-feira, em conferência de imprensa de lançamento do jogo de terça-feira (19h45, RTP1), em Alvalade, com a Hungria, que o aspecto emocional é um factor importante e transversal a todos os jogos, não sendo exclusivo de momentos como o que Portugal vive: na iminência de consumar a qualificação para o Mundial2026, o que depende de um triunfo sobre os húngaros, desde que a Arménia não ganhe na República da Irlanda.O treinador espanhol sublinhou a importância de alcançar o objectivo da selecção frente aos adeptos portugueses e a serenidade com que o grupo encara este desafio, depois de um triunfo suado ante os irlandeses.”O grupo está calmo, focado e percebe a força de jogar em casa”, declarou, elogiando a “energia dos jogadores” e o desejo de aproveitarem esta oportunidade para ganhar e garantir já o apuramento.Durante a conferência, Roberto Martínez abordou o facto de Portugal ter conseguido selar os triunfos de Budapeste e Alvalade muito perto do apito final, o que levou o seleccionador a sugerir que as 13 vitórias conseguidas em jogos de apuramento não são “sorte do seleccionador”, mas sim “dedicação e compromisso dos jogadores”, pelo que deveria valorizar-se mais esse aspecto e opinar-se menos numa base pouco informada.”As críticas fazem parte. Mas gostaria que fossem informadas. O foco é desfrutar mais e não procurar o que não fazemos bem. Os jogadores merecem mais respeito pelo que estão a fazer bem. Haver opinião é normal. A selecção é de todos. E não vejo nenhum problema nisso”, reagiu, depois de ter enfatizado o que Portugal fez de muito positivo ante os irlandeses.”Avaliando o nosso desempenho, sem bola foi um jogo exemplar: sem remates enquadrados da Irlanda, sem cantos e sem lançamentos no nosso campo. Faltou marcar cedo. Gosto muito de estatísticas como os golos esperados. No nosso caso de 3,75. Isso diz-nos que Portugal ataca”.Daí que, frente à Hungria, Roberto Martínez insista: “Não podemos perder o que fizemos sem bola. Depois, o golo da vitória não é de azar ou sorte. É um golo merecido. Chegou aos 91 minutos, quando tínhamos mais seis para continuar a atacar. Obviamente, queremos melhorar a fluidez, a rapidez e a ocupação dos espaços sem bola”, frisou, elogiando a Hungria, “uma selecção muito bem preparada”.Atitude supera golos árabesRoberto Martínez manteve sempre o foco no grupo, mesmo sabendo que oito dos nove golos de Portugal neste Grupo F levam o selo de jogadores que actuam na Liga saudita.”O golo é consequência do bom jogo. Não é importante onde jogam, mas sim a atitude e o compromisso. Não faz qualquer diferença a liga ou país onde jogam. Não há nenhuma relação entre os golos e os clubes onde jogam”, afirmou.Ainda a propósito do timing dos golos decisivos e da insistência nessa questão, Roberto Martínez lembrou que “a média de golos é uma das melhores do mundo”. “Quase três por jogo. Há que valorizar o que fazemos. Somos uma equipa de ataque, que cria oportunidades ao nível das melhores. Ataca bem. Quando enfrentamos adversários com bloco baixo, tudo depende de quando surge o primeiro golo”.Esse pendor ofensivo pode, contudo, ser aproveitado por adversários como a Hungria, que exploram as transições. “A Hungria precisa de muito pouco para chegar à baliza e marcar. Sofremos dois golos que podíamos ter evitado, defendendo melhor como equipa. Mas também marcámos dois golos de bola corrida a uma Hungria que não sofreu contra Alemanha e Países Baixos. Por isso, há muito a manter, para depois acrescentar os aspectos que podem ajudar a travar o contra-ataque”.Nesse plano, a “plasticidade” da equipa é um trunfo de que o seleccionador não prescinde. “A flexibilidade é muito importante. Poder utilizar conceitos diferentes com base na qualidade individual dos jogadores e dificultar a preparação do jogo dos adversários, mesmo durante a partida”, vinca, lembrando que tem “três dias para preparar um jogo, pelo que essa flexibilidade e resiliência são fundamentais”.Sem Rafael Leão e Gonçalo Inácio, dispensados na sequência de problemas físicos, Martínez pode contar com João Félix, recuperado. Ao defesa do Sporting e ao extremo do AC Milan, deixou um agradecimento; a Vitinha, que ainda procura o primeiro golo ao serviço da selecção, um elogio baseado em factos e estatísticas.O seleccionador espanhol afirmara que Pedri é o melhor médio do mundo e a pergunta era inevitável. Martínez respeita a opinião, mas remete para os dados da última Liga dos Campeões, que elegem Vitinha como o melhor.”Para mim, o Vitinha é o melhor médio do mundo. O João Neves é diferente, mas é um dos melhores. Objectivamente, olhando ao plano estatístico, o melhor da Champions foi o Vitinha. Subjectivamente, temos de aceitar as opiniões diferentes. Mas o Vitinha foi, sem dúvida, o melhor da Champions”. Um trunfo que poderá voltar a ser fundamental na hora de garantir o apuramento e um estágio de Novembro mais tranquilo, já em forma de preparação para o Mundial.










