Quem costumava doar sangue antes dos 70 vai poder continuar realizando doações mesmo depois de completar essa idade. A mudança foi anunciada pelo Ministério da Saúde na quarta-feira, 12, e entra em vigor a partir de outubro. Antes, mesmo quem doava regularmente tinha que interromper a prática ao completar 70 anos.
A medida, segundo a pasta, acompanha o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população brasileira, e reconhece que “pessoas idosas saudáveis podem continuar contribuindo para o atendimento de pacientes que precisam de transfusão”.
As novas regras foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho, e entram em vigor em outubro, 90 dias após a publicação.
Segundo o documento, o limite para a primeira doação será de sessenta anos, onze meses e vinte e nove dias, mas, se o candidato à doação tiver uma idade superior a essa, poderá ser aceito como doador após avaliação pelo médico do serviço de hemoterapia, “com avaliação dos riscos, benefícios e apresentação de relatório que justifique a necessidade da doação, registrando-a na ficha do doador”.
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Para quem já é doador habitual, a regra é ainda mais flexível: mesmo após os 70 anos, a doação poderá continuar, desde que haja avaliação médica e o serviço considere que não há riscos que impeçam o procedimento.
“Será permitido aos doadores de repetição com idade superior a setenta anos, a continuidade da doação, após avaliação médica pelo serviço de hemoterapia”, informa a portaria.
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Tempo de espera para doar também caiu
Além de permitir que idosos com mais de 70 anos continuem a doar sangue, o novo regulamento reduz o tempo de espera para que pessoas temporariamente impedidas possam voltar a doar:
Para quem passou por endoscopia ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica: o prazo cai de seis para quatro meses;
No caso de tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento: a doação poderá ser realizada após sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em local que cumpra as normas de segurança. Se essa avaliação não for possível, o prazo aumenta para quatro meses;
Para piercing na boca ou na região genital: a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada.
Além disso, o período em que uma pessoa fica impedida de doar sangue após viajar para municípios onde há transmissão de malária ou ter contato com áreas de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Antes, dependendo da situação, esse intervalo poderia chegar a 12 meses.
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Segundo o Ministério da Saúde, a mudança foi possível graças ao NAT Plus, teste de malária desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que já é utilizado para identificar HIV e hepatites B e C, e passou a detectar também o parasita causador da malária em 100% dos exames de triagem para doação de sangue.
Outra alteração se deu no prazo de validade do concentrado de plaquetas. Desde que adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas, o prazo poderá passar de cinco para até sete dias.
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A pasta afirma que estender esse limite em até dois dias pode contribuir para reduzir perdas e aumentar a disponibilidade desse componente sanguíneo, que é utilizado principalmente no atendimento a pessoas com câncer, pacientes submetidos à quimioterapia, pessoas com doenças no sangue e outras condições que exigem transfusões frequentes.
No Brasil, em geral, pode doar sangue quem está em boas condições de saúde, tem mais de 18 anos, pesa pelo menos 50 kg e apresenta documento oficial com foto. Menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal, e pessoas que fazem a primeira doação devem ter até 60 anos, 11 meses e 29 dias, embora a nova regra permita exceções após avaliação médica.
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O candidato passa por uma triagem antes da doação, que verifica condições de saúde e situações que possam exigir um período temporário ou definitivo de impedimento.
Uma única doação de sangue pode salvar até quatro vidas, já que a bolsa de sangue coletada passa por um processo de separação de componentes (como hemácias, plaquetas e plasma), e cada parte é destinada a pacientes com necessidades médicas diferentes.