62O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), vulgarmente conhecido como Guarda Revolucionária Iraniana, anunciou, a 21 de Outubro de 2026, uma mudança na doutrina militar do Irão, que passará a privilegiar uma postura mais ofensiva, combinando operações militares directas com estratégias de guerra assimétrica. A declaração, atribuída ao porta-voz da organização, Hossein Mohebi, representa um sinal de endurecimento da posição de Teerão perante os EUA, Israel e os países da região que possam apoiar operações militares contra o território iraniano. Nas palavras de Mohebi, “a nossa doutrina de defesa era anteriormente defensiva; costumávamos dizer que, se um país nos atacasse, responderíamos. Agora dizemos que, se um país nos atacar, responderemos e lançaremos uma ofensiva”. A declaração indica que o Irão pretende deixar de limitar a sua resposta à retaliação contra os responsáveis por um ataque, passando a considerar operações ofensivas mais amplas, destinadas a aumentar os custos militares, económicos e políticos de qualquer agressão.Uma doutrina militar defensiva privilegia a protecção do território, a neutralização de ataques e a resposta a agressões. Em contrapartida, uma doutrina ofensiva admite a iniciativa militar, procurando atingir antecipadamente ou enfraquecer as capacidades do adversário, destruir infra-estruturas militares relevantes e alargar o campo de confronto para além do território directamente ameaçado. Ao anunciar a mudança da sua doutrina militar, o Irão pretende, sobretudo, dissuadir os seus adversários de o atacarem. Assim, Teerão transmite a mensagem de que um novo ataque norte-americano ou israelita não ficará limitado a uma troca de ataques entre os intervenientes directamente envolvidos, mas pode produzir consequências noutras partes do Médio Oriente.A guerra assimétrica, por seu turno, consiste na utilização de meios, tácticas e métodos que exploram as vulnerabilidades de um adversário militarmente superior. Em vez de procurar competir directamente com os EUA em todos os domínios convencionais, o Irão recorre a mísseis balísticos e de cruzeiro, drones, minas navais, embarcações rápidas e forças aliadas na região. Estas capacidades permitem ameaçar alvos militares, perturbar o transporte marítimo e aumentar os custos da defesa aérea adversária. A utilização de drones relativamente baratos, por exemplo, pode obrigar o adversário a gastar munições interceptadoras mais dispendiosas. O objectivo não é necessariamente alcançar superioridade militar absoluta, mas dificultar as operações inimigas e tornar uma campanha militar prolongada mais onerosa. Leia mais…