Mudanças climáticas na saúde foram por tempos negligenciados

131– Tatiana Marufo, investigadora na área de Saúde e clima no Instituto Nacional de SaúdeNo Instituto Nacional de Saúde (INS), a maior instituição pública de investigação científica em Saúde, os fenómenos climáticos também estão a instigar debates e investigação a sério. Há consciência de que tornou-se quase que impossível ignorar os efeitos dos vários eventos climáticos sobre o sector. É que estes estão a mudar a forma de lidar com a saúde nas várias vertentes de abordagem desde a consciencialização do profissional que presta assistência, passando pela preparação das infraestruturas, até como fazer o diagnóstico aos pacientes nas unidades sanitárias.Amanhã, a comunidade científica do INS vai reunir-se na sua terceira edição da Conferencia Nacional da Saúde Sobre as Mudanças Climáticas, para descodificar a saúde em face dos eventos do clima e buscar soluções inovadoras que coloquem a saúde na linha da frente na mitigação dos efeitos. O domingo privou com Tatiana Mafuro, investigadora sénior desta instituição na área de Saúde e Clima, quem trocou em miúdos, a intenção do primeiro “barulho” feito no país para despertar a necessidade de se abordar as mudanças climáticas sobre a saúde e a investigação que se tem feito nesta área.Nesta III edição o lema, aborda a promoção da acção climática activa, inovação e geração de evidências. Porquê esta perspectiva? Esta área de mudanças climáticas foi, por muito tempo, negligenciada no sector de saúde e nos programas de agenda climática. O nosso papel foi sempre muito reduzido. No entanto, nos últimos anos o entendimento da acção climática melhorou e estas conferências vieram aumentar a consciência de que devemos gerar evidências com os trabalhos de investigação neste domínio, que estas apoiem na tomada de decisões.Que diferencial traz esta Conferência nacional?Na segunda Conferência decorrida em 2023, conseguimos desconstruir o entendimento de que as mudanças climáticas tinham como impacto, apenas em doenças como diarreias e malária. Nesta trazemos um entendimento mais amplo, como a repercussão por exemplo, em doenças como HIV e de saúde mental. Também abrimos oportunidade para que quem tem trabalhos em diferentes áreas relacionadas com mudanças climáticas e impacto na saúde, possa partilhar no evento.Houve adesão à iniciativa? Sim. Foram cerca de 300 submissões provenientes não só de Moçambique, mas também de países europeus e africanos. E o que nos impressionou é que mais de 70 por cento destas, são de Leia mais…

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