Ler Resumo
A mazdutida, um novo remédio para perda de peso com mecanismo GLP-1 e glucagon, mostrou resultados promissores em um estudo nos EUA, com voluntários perdendo até 18,1% do peso em 48 semanas. Diferente dos já conhecidos, este fármaco chinês-americano pode abrir um novo caminho no tratamento da obesidade.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Quem acompanha a corrida dos remédios para perda de peso já se acostumou a nomes como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro). Em junho de 2025, a China aprovou um medicamento que o Ocidente ainda não podia comprar: a mazdutida, vendida lá pela farmacêutica Innovent Biologics, a primeira do mundo com seu mecanismo de ação.
Agora, um estudo publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology mostra como ela se comporta em voluntários americanos – e com doses bem mais altas que as usadas no país asiático.
Uma dupla diferente
A semaglutida imita um único hormônio intestinal, o GLP-1, que reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago. A tirzepatida soma a ele um segundo hormônio, o GIP.
A mazdutida aposta em outra parceria: GLP-1 mais glucagon. O glucagon isoladamente é conhecido por elevar a glicose, mas também estimula o gasto de energia e a queima de gordura, sobretudo no fígado. A lógica é a seguinte: o GLP-1 segura a fome e o açúcar no sangue, enquanto o glucagon acelera o motor metabólico.
Continua após a publicidade
O estudo de fase 2 com o fármaco foi feito em 24 centros dos Estados Unidos com 179 adultos com obesidade, ou sobrepeso associado a alguma doença ligada ao peso, todos sem diabetes tipo 2. Dois terços eram mulheres; a idade média, 48 anos. Por sorteio, receberam uma injeção semanal de placebo (sem princípio ativo) ou de mazdutida em três esquemas — 3 mg (elevados a 6 mg na reta final), 10 mg ou 16 mg — por 48 semanas, sem que pacientes e médicos soubessem quem tomava o quê.
Na 32ª semana, prazo do objetivo principal, o grupo placebo havia perdido 0,9% do peso. Com mazdutida, a redução foi de 7,3% na dose baixa, 15,6% com 10 mg e 18,1% com 16 mg. Para uma pessoa de 100 quilos, a dose máxima significou cerca de 18 quilos a menos em pouco mais de sete meses.
Continua após a publicidade
E a balança continuou descendo. Ao fim de 48 semanas, cerca de metade dos voluntários nas doses de 10 mg e 16 mg perdeu ao menos 20% do peso, contra 3% no placebo, com a cintura encolhendo perto de 17 centímetros e melhora da glicemia. E olha que as curvas ainda não tinham estabilizado ao final de 48 semanas, indicando que em estudos maiores e com seguimento mais longo é possível se mostrar reduções ainda maiores de peso.
Como em toda a família do GLP-1, os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais — náusea, vômito, diarreia —, em geral leves ou moderados. Mas há um alerta: com 16 mg, um em cada cinco participantes abandonou o tratamento por esses incômodos. Diante desse efeito, o ganho extra sobre a dose de 10 mg (18,1% contra 15,6%) precisa ser balanceado caso a caso. E a amostra é pequena: estudos de fase 2 calibram doses e checam a segurança inicial, mas não provam benefícios como menos infartos ou mortes.
Continua após a publicidade
Chinês, mas nem tanto
O apelido merece ressalva. A molécula nasceu nos laboratórios da americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, que licenciou à chinesa Innovent os direitos para o mercado asiático. Lá, a dose de 6 mg levou a perda média de 14,8% do peso em 48 semanas. No resto do mundo, os direitos seguem com a Lilly, patrocinadora do estudo americano.
E as perspectivas para o Brasil? A mazdutida não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem previsão de chegada. Qualquer produto oferecido com esse nome por aqui não tem garantia de procedência. Comparações diretas com semaglutida e tirzepatida também precisam esperar: estudos diferentes não permitem apontar qual é melhor.
Continua após a publicidade
O que a pesquisa revela é que um terceiro caminho contra a obesidade começa a se firmar na China – e fora dela. Mais opções significam mais chance de cada paciente encontrar o equilíbrio entre eficácia, tolerância e, um dia, preço. Antes disso, porém, a mazdutida precisa vencer a etapa mais exigente da ciência: os grandes estudos de longo prazo.