Papa Leão XIV é internado para remover nódulo no pulmão; entenda o problema

O Papa Leão XIV será submetido nesta terça-feira, 13, a uma cirurgia para retirar um nódulo circunscrito no pulmão. O anúncio foi feito pelo pontífice durante o Angelus, na Praça de São Pedro, no último domingo, 11.
Na ocasião, o Santo Padre anunciou que o nódulo foi identificado “em uma fase muito inicial e bem localizado”. Seguindo orientação médica, ele decidiu se submeter ao procedimento. O tempo de recuperação estimado pelo Vaticano é de cerca de uma semana. A operação será realizada na Policlínica Gemelli, em Roma.

Um nódulo pulmonar não é sinônimo de câncer. Nódulos pulmonares são achados comuns em exames de imagem e, na maioria dos casos, são benignos. A decisão pela retirada depende de diversos fatores, como tamanho, características da imagem, localização, velocidade de crescimento e perfil do paciente.
“Um nódulo pequeno, bem delimitado e encontrado antes de causar sintomas, pode representar uma oportunidade importante“, afirma Alessandro Mariani, professor doutor de cirurgia torácica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“Se for benigno, evita-se alarme desnecessário. Se for câncer em fase inicial, a chance de tratamento curativo costuma ser muito maior”, acrescenta Mariani, que também é e preceptor de cirurgia torácica robótica.

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Diagnóstico precoce
O caso do pontífice, segundo o especialista, chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), apenas 16% dos cânceres de pulmão são diagnosticados em estágio inicial (sem metástase), para o qual a taxa de sobrevida de cinco anos é de 56%.
Nos demais estágios, a sobrevida média em cinco anos cai para 18% (15% para homens e 21% para mulheres). Isso porque o câncer de pulmão pode ser silencioso nas fases iniciais e, muitas vezes, só causa sintomas quando está em estágio avançado.

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O rastreamento com a chamada tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) pode ser indicado para pessoas com alto risco de desenvolver a doença, incluindo adultos de 50 a 80 anos com histórico de tabagismo de pelo menos 20 maços ao ano e que atualmente fumam ou pararam de fumar nos últimos 15 anos.
Apesar da forte associação com o tabagismo, a doença também pode ocorrer em pessoas sem fator de risco evidente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o cigarro como principal fator de risco, mas também lista fumaça passiva, poluição do ar, radônio, asbestos, sílica, gases de escape de diesel, doenças pulmonares crônicas e suscetibilidade genética entre fatores associados.
Rastreamento e investigação de um nódulo já encontrado, porém, são situações diferentes. No rastreamento, o objetivo é procurar alterações em pessoas de maior risco. Na investigação, o desafio é definir a natureza de uma lesão que já apareceu no exame.

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“O diagnóstico precoce não deve virar ansiedade diagnóstica. Encontrar um nódulo pequeno é o começo da pergunta, não a resposta. O que muda a história do paciente é interpretar corretamente o achado e escolher uma conduta proporcional ao risco”, afirma o cirurgião.
Como funciona o tratamento de um nódulo?
A conduta pode variar. Alguns nódulos devem ser apenas acompanhados com exames de imagem. Já outros exigem investigação complementar, como PET-CT ou biópsia.
Há também situações em que a cirurgia pode ser indicada como a primeira opção, especialmente em casos de nódulos de risco intermediário a alto em pacientes clinicamente aptos, o que permite o diagnóstico definitivo e, se necessário, tratamento precoce. O Vaticano não informou se há suspeita de malignidade.

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“Às vezes, a biópsia é necessária antes da cirurgia. Em outras situações, pela localização, pelo padrão da imagem ou pela chance de câncer, pode fazer sentido retirar o nódulo diretamente. A decisão não é automática. Ela precisa ser individualizada”, explica o médico.
Tratar cedo, segundo Mariani, pode ser decisivo em um câncer de pulmão inicial, mas isso não significa dispensar avaliação pré-operatória. Antes de uma cirurgia pulmonar, diversos parâmetros do paciente são avaliados, como função respiratória, risco cardíaco, exames de imagem, extensão da lesão e condição clínica geral. “A melhor cirurgia é aquela indicada no tempo certo e com segurança”, diz.

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