Muitos dos espectadores que forem ver Se Eu Fosse Você 3 nos cinemas a partir desta quinta-feira, 8, podem esperar que Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) troquem de corpos por uma terceira vez, mas não é bem assim. Vinte anos depois do primeiro capítulo da saga, a história agora se volta à filha do casal, Bia (Cleo Pires), que herda a sina dos pais e é surpreendida ao se ver dentro da carne do namorado Aquiles (Rafael Infante) que, em troca, ocupa seu lugar. Juntos, ambos têm que chegar a um consenso sobre o futuro de sua relação, divididos por dilemas quanto ao casamento e à expansão da família, além de suas carreiras em ascensão. Enquanto o caos corre solto, os veteranos da franquia apenas observam: fora do protagonismo, eles agora viajam pela China em uma segunda lua de mel, e apenas aparecem em tela para breves conselhos ao par.
A posição de sabedoria é ecoada por Ramos e Pires na vida real, que lembram com carinho do sucesso do primeiro filme. Em entrevista a VEJA, ambos comentam o processo por trás da franquia, defendem o cuidado da equipe para evitar caricaturas de gênero e especulam sobre um possível quarto título:
Quais as memórias mais vívidas dos bastidores do original?
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Pires: Foi um desafio enorme para nós. Tudo eram meras ideias, e a construção que o diretor Daniel Filho propôs foi incrível. Essa é uma grande qualidade dele, que nunca está fechado para qualquer sugestão — porque, novamente, ninguém tinha feito isso aqui no Brasil. Não havia um mapa a ser seguido, e fomos descobrindo juntos nos ensaios e nas leituras. Lembro de muitas gargalhadas, muita besteira, muitas piadas. Isso me desperta saudade, porque aquilo que vivemos está cada vez mais raro. É difícil ter tempo para encontrar personagens. Hoje, você quase não consegue mais se preparar. Me dá um pouco de banzo pensar: por que não mais?
O humor dessa franquia tem como base os papéis de gênero. Brincar com essa troca os fez encontrar novas oportunidades enquanto atores?
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Ramos: É importante não confundir deboche com uma situação que cause humor. São coisas diferentes. Tivemos erros, óbvio, mas nunca houve desrespeito em nossos filmes. Quando minha personagem se torna feminina, havia uma preocupação sincera, clara e vigilante do Daniel Filho para que não esbarrássemos em uma caricatura. E eu sou um bicho chato, jamais faria isso. Não contem comigo para gracinhas. Eu queria um sentimento feminino. Exemplo: no segundo filme, quando a filha anuncia uma gravidez precoce, meu máximo foi um gesto de apanhar o ar que estava fugindo do peito pela surpresa daquela mãe. São detalhes. Nunca subestime o espectador. Ele percebe. À época, a média da resposta foi: este não é só um filme para dar risada, mas para pensar e refletir sobre os papéis de gênero, e 90% dos casais disseram que o filme havia sido um bálsamo para eles, que haviam rido e espiado os próprios ridículos.
Acreditam que o desenvolvimento do politicamente correto tenha afetado a produção do novo filme?
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Pires: Foi uma coisa natural, assim como os anteriores reproduziam nossa dinâmica social. Eles foram muito fiéis à história que o público já conhecia, acompanhando essa família e a evolução dessas pessoas, mas trouxeram ainda um dado novo. Tem um frescor, e acho fantástico que o filme não tenha nada de didático, nem de panfletário. É tudo muito sutil, dentro da realidade que as pessoas vivem e da preocupações de hoje.
Ramos: Não me lembro se no primeiro ou no segundo, tem uma cena em que Cláudio vai procurar roupa como mulher. Ele se olha no espelho [no corpo de Helena, vivida por Glória Pires] e pergunta para a vendedora: “está marcando o meu bumbum?” Na noite anterior, eu perguntei para a minha mulher como ela costumava experimentar calças em lojas, se ela fazia essas perguntas para as funcionárias, e emulei tudo aquilo na filmagem. Eu aposto que não se encontra nenhuma piadinha de gênero nos nossos filmes.
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Dessa vez, Cláudio e Helena não trocam de lugar. Acham que é possível que isso aconteça novamente em um quarto filme?
Pires: Com um bom roteiro e uma boa história que gere essa curiosidade, por que não?
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Ramos: Por que não?
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