A principal arma para salvar vidas do câncer, segundo cientista de oncologia de biofarmacêutica

Ler Resumo

Hesham Abdullah, cientista da GSK e experiente em oncologia, enfatiza o diagnóstico precoce como a arma mais poderosa contra o câncer, especialmente em adultos jovens. Compartilhando sua jornada pessoal e profissional, ele discute os avanços nos tratamentos, os desafios de acesso e o crescente papel do Brasil na pesquisa oncológica.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Com o histórico de ter liderado o desenvolvimento e registro de 13 medicamentos com tecnologias avançadas para o combate ao câncer, o médico e cientista Hesham Abdullah conhece as mais diferentes faces da doença: das pesquisas ao papel de cuidador, quando se deparou com o pai e a irmã diagnosticados com tumores. Vice-presidente sênior e chefe global de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em oncologia da biofarmacêutica GSK, ele destaca a importância das inovações para o tratamento da doença, mas vê o diagnóstico como a arma mais poderosa para frear casos de câncer em fases mais avançadas.
Há mais de 20 anos, Abdullah tem acompanhado o progresso das terapias que buscam debelar as células cancerígenas e acumulou experiência a partir do desenvolvimento de imunoterapias e anticorpos conjugados, por exemplo.

Os métodos inovadores, no entanto, despertam sua atenção por um motivo maior do que o avanço científico. A saúde do paciente é o que o move.

“Para mim, é uma paixão e um propósito que definem minha vida e meu norte, começando pela minha família. Em 2005, meu pai foi diagnosticado com câncer colorretal em estágio avançado. Eu alternava entre ser o médico que tomava decisões sobre tratamentos, cirurgias e ensaios clínicos, e o cuidador que ajudava a gerenciar efeitos colaterais, como náuseas, vômitos e fadiga em casa”, relembra.

Continua após a publicidade

O pai morreu após três anos e meio, a irmã se recuperou e o médico-cientista utilizou essa experiência nas abordagens que contribuiu na elaboração ao longo de sua carreira. “Isso me deu uma visão única sobre como os efeitos colaterais impactam a vida diária e o bem-estar da família.”
Nos últimos 15 anos, testemunhou a personalização do tratamento e o uso de drogas que atacam apenas o tumor, preservando tecidos saudáveis. O câncer tem virado uma doença crônica, não mais uma condição que as pessoas até evitavam repetir o nome, como tantas vezes presenciou, mas não para todos.

Continua após a publicidade

O acesso é um dos grandes gargalos, pois as novas tecnologias são caras e a redução dos preços não é tão acelerada quanto o desenvolvimento de métodos avançados. O próprio câncer caminha a passos largos e aumenta em todas as partes do globo, demandando ações para a identificação cada vez mais precoce.
“A incidência do câncer continua aumentando devido à dieta, estilo de vida, ambiente e também por termos melhores métodos de diagnóstico precoce. Vemos uma tendência preocupante de surgimento de casos em pessoas com menos de 50 anos, número que deve dobrar nos próximos dez anos”, afirma.

Continua após a publicidade

Esse cenário também impacta decisões e metas dentro da biofarmacêutica. “Temos a missão de impactar 2,5 bilhões de pessoas até 2031 com nossos medicamentos. Para isso, desenvolvemos tecnologias escaláveis, como comprimidos ou infusões ambulatoriais que não exijam hospitalização complexa.”
Os tratamentos são cruciais quando se fala em câncer, mas Abdullah volta algumas casas ao abordar os tumores. Questionado sobre qual área escolheria se só tivesse uma opção para salvar mais vidas em casos de câncer, não demora a responder nem aponta terapias complexas.

Continua após a publicidade

“Rastreamento e diagnóstico precoce. Os dados não mentem: os resultados para pacientes diagnosticados precocemente são profundamente melhores. No futuro, em vez de focar em doenças avançadas, queremos diagnosticar a maioria no estágio 1 ou 2, tratando-os com intenção curativa, e não apenas tornando a doença crônica.”
Papel do Brasil na oncologia
Abdullah já esteve duas vezes no Brasil. Na última visita, em agosto passado, conheceu hospitais privados e públicos, como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), além do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
“Fiquei muito impressionado com a infraestrutura, o nível de especialização dos médicos e a enorme capacidade de tratar um grande volume de pacientes. O fato de o setor público tratar cerca de 75% da população com essa competência é admirável. Vemos o setor público como uma área forte para colaborações futuras.”

Continua após a publicidade

Segundo o médico, a empresa tem mais de 120 centros de pesquisa clínica em oncologia ativos no país e há planos de ampliar o número, incluindo estudos de fase 3.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo