FDA autorizou o 1º robô autônomo para coleta de sangue; dispositivo vai substituir profissionais?

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, autorizou o primeiro robô capaz de coletar sangue do braço de um paciente sem intervenção humana. Apelidado de “Aletta”, o dispositivo robótico é indicado para uso em adultos em ambientes ambulatoriais e deve ser operado sob supervisão de um profissional treinado em flebotomia, que é o procedimento de perfurar uma veia com uma agulha para retirar sangue.
Segundo o órgão, a coleta de sangue é um dos procedimentos médicos mais comuns nos Estados Unidos, mas os pacientes podem enfrentar atrasos devido à crescente escassez de flebotomistas treinados. “Um flebotomista pode supervisionar até três dispositivos Aletta simultaneamente, o que pode ajudar a solucionar a atual escassez de flebotomistas nos EUA”, afirmou o FDA em comunicado sobre o robô, cuja autorização foi liberada no final de agosto.

A aprovação de uso do dispositivo, de acordo com a agência, se deu com base em dados clínicos que demonstram que o Aletta alcança taxas de sucesso na coleta de sangue comparáveis ou superiores às de flebotomistas humanos treinados.
“Isso foi demonstrado em uma ampla gama de pacientes, incluindo aqueles com diferentes condições de saúde, aqueles que relataram dificuldade de acesso venoso e aqueles com diferentes tons de pele”, afirmou o órgão, acrescentando que os eventos adversos relacionados ao dispositivo foram incomuns e leves.

Como funciona o robô Aletta
O dispositivo Aletta gerencia de maneira autônoma cada etapa da coleta de sangue, mas requer supervisão de um flebotomista treinado, responsável por iniciar cada sessão. O profissional também permanece disponível para solucionar quaisquer problemas durante o procedimento.

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Primeiro, o dispositivo guia o paciente no posicionamento do braço. Depois, o paciente ou o supervisor pressiona um botão para iniciar a coleta de sangue.
O Aletta utiliza luz infravermelha e ultrassom Doppler para localizar a veia adequada e diferenciá-la das artérias. Caso nenhuma veia apropriada seja encontrada, o dispositivo não completa a ação.
Uma vez identificada a veia, o robô aplica o torniquete (dispositivo médico que ajuda a localizar e palpar a veia) e faz a preparação da pele, além de inserir e descartar a agulha. Ele também realiza a troca dos tubos de coleta e coloca um curativo no paciente.

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Por sua vez, o flebotomista responsável confirma se os tubos de coleta foram preenchidos na ordem correta e verifica se todos os tubos estão adequadamente cheios após o procedimento.
Segundo o FDA, o Aletta foi projetado com múltiplas camadas de segurança para o paciente. O dispositivo aplica desinfetante na pele continuamente durante o exame de ultrassom, por exemplo.
“Se o paciente se mover muito durante o procedimento, a agulha se desconecta automaticamente e a aspiração é interrompida; sensores adicionais integrados podem pausar o procedimento e alertar o supervisor caso outras condições inseguras sejam detectadas”, diz o comunicado publicado pelo órgão.

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Robô vai substituir humanos na coleta de sangue?
Para Leonardo Vedolin, vice-presidente da Área Médica da Dasa, um modelo operacional padronizado e automatizado como o Aletta tem potencial para “elevar ainda mais a segurança do paciente e a qualidade das amostras desde a origem”.
Segundo o médico, o recrutamento e retenção de profissionais capacitados para coleta de sangue é um desafio não só nos Estados Unidos, como também em vários outros países, incluindo o Brasil.
“O dispositivo pode fazer sentido do ponto de vista clínico em ambientes de alto volume e complexidade, mas exige uma análise criteriosa de viabilidade econômica, segurança do paciente e aprovação regulatória local”, pondera.

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Na opinião de Vedolin, os avanços tecnológicos não vêm para eliminar postos de trabalho, mas para transformar a forma como os profissionais atuam.
Com a automação, o esforço mecânico e repetitivo diminui, o que, em teoria, poderia liberar as equipes de saúde para focar na gestão do cuidado, na segurança do processo e na experiência do paciente.
Algumas etapas do processo, porém, não podem ser substituídas pela máquina. “A máquina não substitui a empatia, o acolhimento e o manejo do medo ou da ansiedade do paciente”, diz.

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Para o especialista, o julgamento clínico no atendimento de casos mais sensíveis, como crianças e idosos, e a intervenção rápida em intercorrências dependem e continuarão dependendo exclusivamente da sensibilidade humana.

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