Ler Resumo
Tom Cruise surpreende em “Digger”, uma sátira política de Iñárritu, transformando sua aparência para um papel dramático que pode finalmente render-lhe um Oscar. Após décadas dedicado à ação e com um Oscar honorário, o astro busca o reconhecimento competitivo, reafirmando sua paixão pelo cinema e seu legado em Hollywood.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Com cabelo grisalho, entradas, rugas e uma barriga farta, aparência conquistada por camadas generosas de maquiagem, Tom Cruise, nas cenas do filme Digger (Estados Unidos/Reino Unido/México, 2026), que chega aos cinemas na quinta-feira 1º, passa longe do charme de símbolo sexual que o acompanha desde os anos 1980. Na sátira, um magnata inconsequente rege as principais reservas naturais do planeta e causa um tsunâmi que afunda metade da Europa, dando vazão para mais catástrofes apocalípticas. Ironicamente, resta a ele salvar o planeta de si mesmo. Dirigido pelo aclamado cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, dos premiados O Regresso e Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Digger já domina as listas de aposta ao Oscar antes mesmo de seu lançamento — sendo uma das categorias mais promissoras a de melhor ator para Cruise.
VOANDO ALTO - Em Top Gun: Maverick: o filme abriu nova fase para o ator (Paramount Pictures/.)
Ao se despir da vaidade, o galã de 64 anos aposta em uma fórmula quase infalível da premiação (leia o quadro): ele quer mostrar que é mais do que um rostinho bonito e um tanquinho malhado em filmes de ação — e que deseja, sim, uma estatueta em sua estante. Por mérito competitivo, vale ressaltar: em novembro Cruise foi condecorado com um Oscar honorário, honraria simbólica concedida pela Academia de Hollywood. Na cerimônia, para além de sua carreira vasta, foi exaltada sua postura na defesa do cinema diante de ameaças recentes. Cruise se tornou um dos astros mais vocais contra o domínio do streaming — é praticamente o único de seu calibre que ainda não trabalhou com nenhuma plataforma. Foi ainda um incentivador voraz do retorno às salas de exibição após a pandemia. Ser um aliado da indústria lhe garantiu muitos pontos — e ajudou a reverter a má fama que o cerca há duas décadas.
Com quatro indicações no currículo, uma por produzir Top Gun: Maverick (2022) e três nas categorias de atuação, por Nascido em 4 de Julho (1989), Jerry Maguire: A Grande Virada (1996) e Magnólia (1999), Cruise já parecia ter se provado em Hollywood. Teve uma estreia arrebatadora em Negócio Arriscado (1983) e deu uma bela guinada rumo à maturidade com De Olhos Bem Fechados (1999). Mostrou versatilidade ao transitar por gêneros e trabalhou com alguns dos maiores cineastas de seu tempo: Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Steven Spielberg, Stanley Kubrick e Paul Thomas Anderson. No processo, notou que fazer filmes não era só uma ocupação, e sim sua identidade. O problema é que, com o ofício, veio a fama estrondosa e a exposição de uma vida pessoal questionável.
Continua após a publicidade
CONDECORADO - Nascido em 4 de Julho: a primeira indicação ao prêmio (Columbia Pictures/.)
A começar pela conexão com a misteriosa igreja da Cientologia, da qual é o principal rosto público. Depois, as especulações acerca de seus divórcios das atrizes Nicole Kidman e Katie Holmes, em 2001 e 2012, respectivamente. Na época da separação de Katie, o astro moveu um processo de difamação de 50 milhões de dólares contra um tabloide que alegou que ele havia abandonado a filha que teve com a atriz, Suri. O caso acabou em acordo sigiloso, mas o tempo revelou uma ponta de verdade ali: em julho deste ano, a jovem se livrou legalmente do sobrenome do pai, com quem não se relaciona.
Continua após a publicidade
Em contrapartida, Cruise passou a ofuscar as manchetes com acrobacias inacreditáveis para seus longas transbordantes de testosterona: em oito filmes da saga Missão: Impossível, realizou loucuras, como escalar o arranha-céu Burj Khalifa, de 160 andares, em Dubai, e até pulou de um desfiladeiro enquanto pilotava uma motocicleta. A franquia colaborou imensamente para a soma total de bilheteria de sua carreira, que passa de 13 bilhões de dólares. As investidas do astro no gênero de ação ganharam outra importância pós-pandemia: com Top Gun: Maverick deu o impulso que ajudou a renovar o setor em crise.
Continua após a publicidade
Desde então, Cruise não mede palavras para expressar sua paixão pelo cinema — e com Digger espera que esse amor seja correspondido. Sucesso financeiro é mais gostoso quando há prestígio envolvido. Se perguntam a ele o que faz depois de um projeto, responde: “Me preparo para o próximo”. No horizonte, planeja a sequência de Dias de Trovão (1990), para 2028, e pode até retomar o projeto de ser o primeiro a filmar no espaço, ideia descartada após desentendimentos com a atual gestão da Nasa. Para Tom Cruise, nem o céu é o limite.
Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014