Operação da Anvisa apreende mais de 1 000 ‘canetas emagrecedoras’ e peptídeos ilegais

Uma operação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com a Receita Federal e a Polícia Federal resultou na apreensão de mais de 1 000 peptídeos e canetas antiobesidade ilegais à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e retatrutida, substância que ainda não chegou ao Brasil e não possui aprovação para uso comercial em nenhum país do mundo.
A fiscalização se deu ao longo de 19 ações durante a primeira quinzena de setembro, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, considerado um dos principais pontos de tráfego ilegal de insumos e de medicamentos no país. As ações tinham como alvo produtos sujeitos ao controle sanitário em voos nacionais e internacionais.

Em nota publicada nesta terça-feira, 22, a Anvisa informou que a abordagem foi estratégica, com foco em passageiros vindos de Foz do Iguaçu, região de fronteira de grande circulação de produtos sensíveis, além de rotas internacionais oriundas de Dubai e Amsterdã.
“As operações conjuntas resultaram na retenção de expressivas quantidades de medicamentos e peptídeos sem registro, que estavam sendo trazidos nos voos, na tentativa de entrada irregular no país”, afirmou a agência.

Veja abaixo quais foram os produtos apreendidos:

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347 unidades de tirzepatida;
572 unidades de retatrutida;
198 unidades de GHK-Cu.

O GHK-Cu é um peptídeo injetável que viralizou nas redes sociais sendo associado à regeneração da pele, cicatrização e até modulação genética, mas não possui comprovação científica. Além disso, a venda e uso do produto no país são ilegais.
Em julho, a Anvisa publicou uma nota para alertar sobre os riscos do uso de peptídeos amplamente divulgados na internet que não têm registro no órgão regulador.

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“Os produtos que se apresentam como peptídeos denominados GHK-CU, BPC-157, TB500, CJC-1295 e Ipamorelina, que prometem efeitos estéticos ou melhora em quadros de saúde, também NÃO se encontram registrados na Anvisa”, alertou à época.
Anabolizantes também foram apreendidos
Anabolizantes também estão na lista dos produtos apreendidos pela operação da primeira quinzena de setembro, segundo a Anvisa.
“Foram apreendidos ainda anabolizantes em ocorrência que resultou na prisão de passageiro pela PF por crime contra saúde pública e contrabando“, afirmou o órgão.

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De acordo com a agência, o viajante estava sendo monitorado desde a sua saída, por meio de um sistema de inteligência utilizado pela Anvisa, o que possibilitou o acionamento da Receita Federal e da Polícia Federal para ação conjunta.
O uso de anabolizantes para fins estéticos e de desempenho esportivo é um risco à saúde e pode causar até a morte, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Em posicionamento oficial sobre o tema, a Sbem já afirmou que o uso disseminado desses produtos para melhorar a aparência e o condicionamento físico dentro e fora do esporte de elite, especialmente no ramo fitness, é “uma verdadeira epidemia mundial e deve ser considerado um grande problema social e de saúde pública também no nosso país”.

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“O uso dessas substâncias para fins de ganho de desempenho no esporte amador, fins estéticos ou como agentes anti-envelhecimento é desprovido de qualquer base científica e é acompanhado de riscos bem descritos na literatura, justificando a proibição de seu uso nestes casos pelo Conselho Federal de Medicina através da Resolução no 1999/2012″, afirmou a entidade.
Os riscos incluem danos importantes ao coração e aos vasos sanguíneos, além de pressão alta, insuficiência cardíaca, arritmias (alterações no ritmo do coração) e até morte súbita.
Os anabolizantes pioram ainda diversos fatores que favorecem doenças cardiovasculares. Eles aumentam os níveis do colesterol LDL (o “colesterol ruim”), reduzem o HDL (o “colesterol bom”), deixam o sangue mais espesso e facilitam a formação de coágulos. Calvície, infertilidade e comportamento agressivo também entram na lista de efeitos colaterais.

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