As irmãs que cresceram entre obras de arte e hoje comandam duas galerias

A 16ª edição da ArtRio, que acontece até domingo, 20, na Marina da Glória, no Rio, reúne galerias e nomes de diferentes gerações da arte. Entre os participantes está a ProArte, que há mais de 35 anos atua no mercado brasileiro. À frente da galeria, as irmãs Mônica, 58, e Márcia Felmanas, 53, levam para a feira não apenas obras de artistas consagrados, mas também uma história que começou dentro de casa.
Filhas de Miguel Felmanas, fundador da ProArte em 1988, as duas cresceram cercadas por artistas, colecionadores, exposições e leilões. “Crescer no meio da arte nos deu uma relação muito intuitiva com esse universo e despertou a nossa paixão por arte. Crescemos dentro de uma casa onde a arte fazia parte da vida”, contam as irmãs em conversa com a coluna GENTE.

A convivência familiar também ajudou a formar o olhar das duas para o mercado. “Nossos pais sempre foram festeiros, e a nossa casa era um ponto de reunião e encontro”, lembram. Segundo elas, foi nesse ambiente que aprenderam que trabalhar com arte vai além de acompanhar tendências: “É desenvolver repertório, curiosidade e, sobretudo, estar aberto ao que não é tão igual”.
Mônica e Márcia contam que uma das lembranças mais inusitadas da trajetória da ProArte envolve os antigos leilões promovidos pela galeria. Os eventos já passaram por hotéis, shoppings e até navios. “Em uma ocasião, chegamos a fretar um navio para uma viagem com os clientes, que também incluía o leilão”. A experiência teve seus percalços: “Na hora, ainda precisávamos lidar com o balanço do navio e com alguns clientes enjoados. Até para mostrar os quadros era um desafio. Foi um daqueles perrengues que, com o tempo, viraram uma das histórias mais divertidas que guardamos dessa época”.

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Em 2013, as duas deram um novo passo na trajetória ao criar a Contempo, voltada à arte contemporânea. “Criamos a galeria como uma extensão contemporânea da nossa trajetória, com o desejo de acompanhar novos artistas, novas linguagens e as questões do nosso tempo”, explicam.

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Para a ArtRio, a ProArte preparou uma seleção que coloca em diálogo diferentes gerações da arte brasileira. “Existe uma combinação de pesquisa, repertório e intuição. Procuramos obras que tenham força por si mesmas, mas que também estabeleçam um diálogo entre diferentes momentos da arte brasileira. Queremos apresentar um conjunto que faça sentido como exposição, e não simplesmente uma reunião de nomes. Temos um acervo construído ao longo de décadas, e isso nos permite criar conversas entre artistas de diferentes gerações, revelando aproximações que, à primeira vista, nem sempre são óbvias. Mas, quando colocamos essas obras juntas, tudo parece fazer sentido, como se sempre tivesse estado ali”, refletem.
Manter a galeria fundada pelo pai, quase quatro décadas depois, é uma responsabilidade que as irmãs dividem com a vontade de imprimir seu próprio olhar ao negócio. “É uma responsabilidade, mas também um privilégio”, dizem as irmãs, ressaltando que manter a história viva não é repetir o que o patriarca fez: “Preservamos os valores que ele nos ensinou: seriedade, conhecimento, relacionamento e respeito pela arte, enquanto seguimos olhando para o presente e para o futuro”.

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Miguel, segundo elas, continua sendo uma presença na trajetória das filhas. “Nosso pai está presente e continua sendo uma referência importante para nós. Gostamos de ouvir sua opinião e ainda recorremos a ele, porque essa troca faz parte da nossa história”, concluem.

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