Em Emergência 53, série do Globoplay, Valentina Herszage interpreta Manuela, uma jovem enfermeira que vai parar na equipe do Samu que atende bairros pobres e ricos no Rio de Janeiro. A VEJA, a atriz de 28 anos detalhou como foi trabalhar no projeto. Confira:
Como chegou a Emergência 53? Fui convidada pelo Andrucha [Waddington], que é um diretor com quem eu já tinha trabalhado em Fim — a série da Fernanda Torres —, em que fiz uma participação muito especial. Foi um projeto muito importante para mim, pois conheci toda a equipe que trabalha com o Andrucha e com o Cláudio Torres. Depois nos reencontramos em Ainda Estou Aqui, já que a Conspiração era uma das coprodutoras do filme, e estávamos juntos com a Fernanda também. Acho que já tínhamos esse ensaio de fazer algo maior juntos, e foi aí que ele me convidou para interpretar a Manuela, uma personagem incrível e superdesafiadora. Acho que veio na hora certa.
O que a atraiu exatamente no papel da Manuela, essa jovem que entra na unidade do Samu usando o trabalho de certa forma como estudo para o mestrado dela, que quer cobrir guerras? Quando o Andrucha e a Cibele Santa Cruz (produtora de elenco) me convidaram, eles não podiam falar muito de início. Só disseram: “É uma série de ação”. Fiquei muito instigada, pensando: “Nossa, uma série de ação? Será que é de super-herói? Do que se trata?”. Era algo que eu nunca tinha feito antes. Mas eu já estava muito disposta por saber quem era a equipe e que tinha a criação do Cláudio Torres, um diretor que adoro. Quando veio a história desses profissionais do serviço móvel de urgência inspirados no Samu, fez um clique. Sempre gostei de fazer projetos políticos, e acho que essa série não deixa de ser, porque estamos ali defendendo o dia a dia e a importância dessas pessoas no âmbito da saúde pública. Além disso, a personagem é extremamente bem escrita, complexa e com um arco muito interessante.
Como definiria a trajetória da Manuela nesse universo, lidando com uma equipe tão experiente? No começo ela trava um pouco, mas logo está pronta para o jogo e ajuda até a realizar um parto. É uma reviravolta muito dinâmica! A Manuela é uma personagem muito rica porque representa várias facetas: tem uma fragilidade visível no primeiro capítulo, mas também é muito forte e corajosa. Ela tem um propósito gigante que é destrinchado ao longo da série: entender por que ela quer ser enfermeira e não médica. Isso é muito bem defendido. Durante a preparação, escutei vários profissionais do SAMU — e o próprio Márcio Maranhão comentou sobre isso — dizendo que quem trabalha ali fica viciado nessa adrenalina de salvar vidas. Só permanece quem tem muita paixão, pois eles atuam nas condições mais adversas possíveis. E a Manuela acaba se afundando um pouco nessa adrenalina.
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Como foi a sua preparação prática para viver uma enfermeira? Sei que a produção contou com consultoria de profissionais de saúde. Como foram os laboratórios? Foi muito legal! Se as pessoas vissem o tipo de pergunta que a gente fazia aos enfermeiros… É um universo muito distante e pulsante, que lida com vida, morte e anatomia humana. Aprendemos desde como colocar um ombro no lugar até como encenar uma cirurgia de emergência dentro de uma ambulância em movimento. Vivenciamos situações que nunca imaginamos passar nem como pacientes, quanto mais como profissionais de saúde. Além do aspecto prático, buscávamos entender o lado emocional: o que ainda os deixa nervosos no dia a dia? Como lidam com acidentes graves enquanto enfrentam problemas pessoais, separações ou brigas em casa? Conciliar essa carga humana com a profissão foi o ponto focal da nossa investigação.
A série mudou sua perspectiva pessoal em relação aos profissionais de resgate e pronto-atendimento? Com certeza. Caiu a ficha de que, muitas vezes, a primeira pessoa que um acidentado vê na vida é um profissional do Samu ou do resgate. Eles chegam com muita rapidez e atenção em momentos de vida ou morte. E, diferentemente do ambiente hospitalar fechado — como vimos tão bem em Sob Pressão, série dos mesmos criadores que eu amava —, esses profissionais estão extremamente expostos na rua. Eles chegam no calor do momento, com pessoas gritando em volta. Vários enfermeiros me relataram que a primeira coisa que sentem ao chegar em um local é medo pela própria vida, porque não sabem o cenário que vão encontrar ou se precisarão apartar uma briga. Valorizo cada vez mais esse trabalho e espero que a série traga visibilidade para o que eles fazem diariamente.
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O que diferencia Emergência 53 de outras séries médicas brasileiras? Não tínhamos um estúdio tradicional, mas sim um galpão onde cenários eram montados, além de muitas gravações externas nas ruas. Tem uma escala de altíssima produção que vai do evento gigantesco até o detalhe de um olhar, uma tristeza ou uma sensação. E há também o humor característico dos projetos do Cláudio e do Andrucha: a vida não é só tragédia, há momentos de descompressão e risadas. Como são sete protagonistas, o público certamente se identifica com algum deles. O roteiro é fantástico.
Houve algum momento particularmente difícil ou desafiador durante as filmagens? Como estávamos encenando esses atendimentos, acabamos vivenciando um pouco do desconforto real da profissão: usar um macacão térmico pesado sob um calor de 40 graus, gravar em locais apertados, na água ou nas alturas. As duas últimas semanas de filmagem foram exclusivamente noturnas (das 18h às 6h da manhã), com os personagens envolvidos em cenários de acidentes bem complexos. Logo no primeiro capítulo, na cena em que a Manuela desce para realizar o parto, tive que descer de rapel em uma estrutura gigantesca construída no nosso galpão. Eu tenho um certo medo de altura e sou muito claustrofóbica. Tive que fazer a descida tirando a mochila e falando no rádio, e a estrutura do capacete era muito justa, o que me deu uma travada. Mas o resultado ficou incrível e super-realista em cena. O trabalho de ator às vezes é desconfortável, mas com uma equipe acolhedora tudo se torna viável. No final, vale a pena.
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Além de Emergência 53, tem outros projetos em andamento ou para estrear em breve? Acabei de filmar um longa-metragem dirigido pelo Felipe Barbosa, no qual contraceno com a Anitta. É o primeiro grande trabalho dela como protagonista no cinema. Estou muito animada! Foi um encontro muito potente, admiro muito a força dela. O filme é leve, aborda juventude e descobertas — temas que me interessam muito e que costumam atravessar meus trabalhos. Devem lançar no ano que vem.