A Orquestra Petrobras Sinfônica sobe ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para a estreia mundial de “Réquiem Guarani-Kaíowá, Op. 33”, obra do compositor brasileiro Cyro Delvizio, com libreto de Gabriel Neves Camargo.
Sob regência do maestro Felipe Prazeres, o concerto acontece na próxima terça-feira, às 19h, e reunirá mais de cem músicos em uma apresentação dedicada à memória, à identidade e aos povos originários do Brasil.
Com aproximadamente 70 minutos de duração, a obra será interpretada pela Orquestra ao lado dos solistas Michele Menezes (soprano), Noeli Mello (mezzo-soprano), Guilherme Moreira (tenor) e David Monteiro (baixo), além do Coral Brasil Ensemble-UFRJ e do Coral Infantojuvenil da UFRJ, ambos sob direção de Maria José Chevitarese.
Para ilustrar a apresentação, serão projetadas fotografias em preto e branco dos fotojornalistas Ana Mendes e Pablo Albarenga, realizadas durante visitas a comunidades Guarani-Kaíowá.
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“Este Requiem esperou quase uma década para chegar ao palco. Durante esse período, a realidade que inspirou a obra infelizmente não desapareceu. Agradeço à Orquestra Petrobras Sinfônica por acreditar na urgência de se falar sobre este tema e cumprir sua missão de difundir música brasileira para os brasileiros. Espero que o público saia não apenas tendo ouvido uma nova composição, mas sentindo-se provocado a repensar nossa relação com os povos indígenas, com a natureza e, em última instância, conosco mesmos. A Terra é nosso Tekohá. Única e insubstituível”, afirma Cyro Delvizio.
Em vez da tradicional liturgia latina, a composição apresenta libreto original em português, com incorporação de termos da língua Guarani, e aborda questões como território, ancestralidade, perda, resistência e a relação entre os povos indígenas e a natureza.
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A origem da composição remonta a 2012, quando a manifestação da comunidade Guarani-Kaíowá de Pyelito Kue, diante da ameaça de expulsão de suas terras ancestrais, ganhou repercussão nacional e internacional.
“Reger a estreia do Réquiem Guarani-Kaiowá é, antes de tudo, um ato de escuta. Escutar a memória de um povo, a sua cultura e a sua relação profunda com a terra. Com a Petrobras Sinfônica, queremos fazer deste concerto um momento de reflexão, mas também de reconhecimento e respeito”, destaca Felipe Prazeres.