Como Tim Curry se tornou ícone da revolução sexual e da comunidade LGBT+

Em 1975, uma mistura de ficção científica, terror e extravagância chegou aos cinemas e nunca mais foi esquecida: The Rocky Horror Picture Show. A adaptação do musical de Richard O’Brien conta a história de um jovem casal que, após um imprevisto com o carro em uma noite chuvosa, busca ajuda em um castelo sinistro. Lá, Brad (Barry Bostwick) e Janet (Susan Sarandon) conhecem o Dr. Frank-N-Furter (Curry), um cientista alienígena e travesti vindo do planeta Transsexual, parte da galáxia Transilvânia. Por coincidência, o gênio está prestes a revelar sua mais nova criação naquele momento: um galã musculoso chamado Rocky (Peter Hinwood), versão sedutora da criatura de Frankenstein.

Não demorou para que o peculiar filme se tornasse um clássico das sessões de meia-noite — feito que o garantiu o recorde de título a passar mais tempo em cartaz na história. O mais recente relançamento ocorreu em 2025, como celebração dos 50 anos da obra.
O segredo para tamanho sucesso começa com o magnetismo de Curry, diferente de qualquer outra atuação celebrada pelo mainstream americano. De corpete e meia-calça, ele conquistou o público de forma avassaladora e inspirou milhares de espectadores a se vestirem como ele. Não só, sessões ocupadas por fãs apaixonados se tornaram ritos interativos, nos quais espectadores dançam, cantam, reproduzem diálogos em sincronia com a tela e, de quebra, retrucam os personagens de forma jocosa. Antes que o narrador descreva as nuvens da tempestade que se aproxima como “pesadas, negras e pendulares”, por exemplo, é comum que fãs gritem: “Descreva suas bolas”.

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Mais de cinco décadas após conquistar o público, o filme continua mais atual do que nunca. Muito além do entretenimento, ele passou a ser um refúgio e um espaço de pertencimento para a comunidade LGBTQIA+, exercendo hoje uma função de resistência em meio a uma onda crescente de conservadorismo. Ao abordar temas como androginia, fluidez de gênero e libertação sexual, a obra criou uma rede de acolhimento para um público historicamente excluído e reprimido, provando a gerações de espectadores que existiam formas alternativas e legítimas de existir. Não à toa, sessões animadas ainda arrancam lágrimas da plateia quando Curry vocifera o lamento I’m Going Home ao final do enredo.

Com uma influência cultural imensurável, a produção foi referenciada ao longo das décadas em diversas obras da televisão e do cinema — como Os Simpsons, Glee, Fama e As Vantagens de Ser Invisível. Atualmente, a adaptação teatral do longa está em cartaz na Broadway com Luke Evans no papel de Curry. Via Instagram, o ator lamentou: “Só existirá um Tim Curry. Todos nós teremos que tentar nosso melhor para emular um pedaço da magia deste papel que tenho interpretado nos últimos 7 meses”.

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