SAÚDE E BEM ESTAR

O que se sabe sobre intoxicação alimentar em mais de 100 clientes de pizzaria na Paraíba

Após o registro de uma morte e mais de 100 casos de intoxicação alimentar entre pessoas que estiveram em uma pizzaria no município de Pombal (PB) no último domingo, 15, a Polícia Civil e a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) da Paraíba estão apurando as possíveis causas do episódio. Amostras de ingredientes recolhidas no local estão sendo analisadas para determinar as possíveis causas e o estabelecimento foi interditado. A vítima fatal, Raíssa Bezerra, tinha 44 anos e foi enterrada na manhã desta quarta-feira, 18.
Em nota enviada a VEJA, a Secretaria Municipal da Saúde de Pombal informou que os primeiros pacientes começaram a buscar os principais hospitais da cidade ainda na noite de domingo. Ao menos 114 pessoas foram atendidas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município e no Hospital Regional de Pombal com sintomas de intoxicação alimentar, como vômito, diarreia e dor abdominal.

Segundo apuração do G1 Paraíba, Raíssa foi à pizzaria La Favoritta com o namorado e eles comeram uma pizza de carne de sol. O homem também passou mal, mas foi atendido e não teve intercorrências. Raíssa apresentou um quadro infeccioso grave e evoluiu rapidamente para um estado gravíssimo. Ela chegou a ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu na manhã desta terça-feira, 17.
A pizzaria está interditada desde segunda-feira, 16, quando agentes das vigilâncias Sanitária e Epidemiológica do município estiveram no local para recolhimento de amostras de pizzas e demais ingredientes para análise da Agevisa e do Laboratório de Saúde Pública do estado (Lacen). O estabelecimento estava com o alvará em dia, mas o documento deve ser suspenso.

“Ainda não se sabe se a razão dessas infecções foi a carne ou derivados do leite, como a nata ou queijos usados na produção. O proprietário alega que pode ser a virose que, nessa época, costuma dar sobre as moscas”, informou a pasta, referindo-se ao quadro conhecido popularmente como “virose da mosca”, que, na verdade, trata-se de gastroenterite — uma inflamação no trato gastrointestinal que pode ser causada por vírus, bactérias e parasitas, e leva a vômitos, diarreia e mal-estar gastrointestinal, de acordo com o Ministério da Saúde –.

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Um conteúdo informativo produzido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) diferencia a “virose gastrointestinal”, como o quadro também é chamado, da intoxicação alimentar. Na gastroenterite, os sintomas de mal-estar, vômitos, diarreia e febre baixa evoluem gradativamente.
A intoxicação alimentar, por sua vez, é súbita. Após a ingestão de alimentos estragados ou com problemas de conservação, os pacientes apresentam vômitos intensos, diarreia forte e dores abdominais.

Proprietário diz que colabora com investigações
Em depoimento divulgado nas redes sociais, Marcos Antonio Gomes Neto, de 24 anos, proprietário da pizzaria La Favoritta, prestou condolência às vítimas e disse que, em seis anos de funcionamento, o estabelecimento nunca apresentou “situação semelhante”.

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Gomes Neto afirmou que está colaborando com as investigações. “Todos nós queremos respostas. Eu preciso da verdade para me sentir bem. Jamais tive a intenção de machucar qualquer pessoa. Sou jovem e meu comércio é minha vida. São seis anos de muita luta e renúncia, e meus clientes me dão sustento”, declarou.
Na gravação, ele está ao lado da advogada Raquel Dantas de Assis, que afirmou que não foram encontradas irregularidades no estabelecimento.
“Não foi encontrado nenhum produto ou material de manuseio para fabricação das pizzas fora da validade ou estragado. Podem existir bactérias que não vemos a olho nu, mas só a prova pericial vai trazer isso.”

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