DIA MUNDIAL DO GLAUCOMA: Apenas dois especialistas para dez mil pacientes
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Celebrou-se a 12 de Março o Dia Mundial do Glaucoma, patologia considerada a segunda maior causa de cegueira no país, a seguir à catarata. Por ocasião da efeméride, domingo entrevistou Lígia Munguambe, directora do Programa Nacional de Oftamologia. Estima-se que, por ano, uma média de dez mil casos novos têm sido registados e que, dos 24 médicos oftamologistas afectos ao Serviço Nacional de Saúde, apenas dois possuem especialização para o tratamento desta patologia ocular.
Fala também dos ganhos com as parcerias criadas a nível nacional e internacional, dos desafios do sector, destacando a constante necessidade da sensibilização sobre os cuidados a ter com a saúde ocular, bem como da insuficiência de equipamentos. Só nos últimos três anos, o Programa Nacional de Oftalmologia diagnosticou mais de 35 mil casos novos, dos quais 10.424, em 2023, 12.571, em 2024, e 12.166 no ano passado. Segue-se, na íntegra, a entrevista.
O Serviço Nacional de Saúde possui 24 médicos oftamologistas e apenas dois especializados no tratamento do glaucoma. Como o Programa Nacional de Oftamologia tem- -se desdobrado para responder à demanda?
A demanda constitui um grande desafio. Há necessidade de um trabalho abnegado em equipa, bem como a capacitação de outros profissionais da área da Saúde na identificação de problemas oculares. Entretanto, estão a ser levadas a cabo actividades formativas de técnicos de oftalmologia, oftalmologistas e sub-especialistas. É um processo que leva o seu tempo.
O que se tem feito para descentralizar os cuidados de saúde ocular, sobretudo para as zonas rurais?
Para alcançar a população nas zonas rurais, temos integrado a saúde ocular nos cuidados primários. Também promovemos capacitação de agentes comunitários e polivalentes em matéria de despiste de doenças oculares nas comunidades. Sempre que possível, realizamos palestras nas quais passamos mensagens sobre os cuidados que devemos ter com os olhos.
Quantas unidades sanitárias no país estão preparadas em termos de equipamento de diagnóstico?
Ainda existem muitos desafios. Mas, em todas províncias, temos pelo menos um médico oftalmologista e equipamento básico em funcionamento. Isto é, para fazer diagnósticos e tratamento cirúrgico. Entretanto, a maior parte dos equipamentos são antigos e carecem de manutenção. Com o aumento da demanda pelos serviços de saúde ocular, a nossa grande preocupação é a mitigação.Leia mais…










