Caneta antiobesidade: saiba quais os centros do SUS que vão oferecer tratamento gratuito
Às vésperas do fim da patente da caneta contra obesidade à base de semaglutida, caso do Wegovy, iniciativas já ensaiam o funcionamento da distribuição gratuita do medicamento na rede pública para avaliar os impactos da medida em uma doença que pode levar a sérias complicações de saúde e à morte. Na última semana, farmacêutica Novo Nordisk anunciou o lançamento do Programa Global de Acesso Equitativo, proposta que vai ofertar o tratamento em três centros do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, realizada em parceria com o governo dinamarquês, vai contemplar ainda pessoas que vivem com obesidade das Ilhas do Pacífico e da Dinamarca.
A meta do programa é alcançar populações em vulnerabilidade social ao redor do mundo, que formam o grupo mais afetado pelo excesso de peso e suas consequências para a saúde. Isso porque são essas pessoas que acabam consumindo mais alimentos ultraprocessados, têm menos tempo e condições financeiras para a prática de atividades físicas, vivem em localidades sem parques e demais locais seguros para caminhar ou correr, entre outras dificuldades.
Na rede pública brasileira, até o momento, dois centros já foram definidos: o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro. O terceiro ainda será selecionado e deve ser anunciado em breve, segundo a farmacêutica.
A empresa informou que, com a distribuição na rede pública brasileira, será possível obter evidências científicas sobre os efeitos econômicos, sociais e em saúde do uso do medicamento em pacientes que vivem com obesidade grave. A ideia não é só fornecer o medicamento: os pacientes vão receber atendimento multidisciplinar, fundamental para a adesão e para seguir as recomendações médicas.
Wegovy no SUS
O funcionamento do programa já foi desenhado. Ao longo de dois anos, o programa vai dar capacitação técnica aos profissionais, fazer a implementação e monitorar os dados sobre os desdobramentos da iniciativa para a saúde, a economia e a parte social. A farmacêutica estima que, com o uso da medicação, será possível reduzir condições relacionadas à obesidade que pressionam sistemas de saúde, como internações, diálises e cirurgias do coração.
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As instituições de saúde serão responsáveis pela escolha das pessoas que vão receber o tratamento.
“Os pacientes participantes serão aqueles já acompanhados por esses três centros do SUS, e cada instituição será responsável por definir seus próprios critérios técnicos de elegibilidade, de acordo com seus protocolos assistenciais e a realidade local”, informou, em comunicado à imprensa, a farmacêutica.
Outras iniciativas
No mês passado, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal aprovou a incorporação da semaglutida na rede pública para pacientes que não obtiveram resultados satisfatórios com a mudança do estilo de vida, como alimentação adequada e prática regular de atividade física.
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A medida ainda não entrou em vigor, pois precisa de avaliação de comissões técnicas e de uma consulta pública.
No interior de São Paulo, a prefeitura de Urupês informou, no início deste mês, que passaria a ofertar a caneta contra obesidade à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, em um projeto que pretende beneficiar ao menos 200 pessoas que estão na fila para cirurgia bariátrica.
No entanto, o medicamento que será fornecido aos pacientes não é o produto original, mas versões manipuladas da substância, o que levantou questionamentos sobre segurança, qualidade e legalidade da iniciativa.
Em nota, a farmacêutica Eli Lilly declarou estar “profundamente preocupada” com a iniciativa e afirmou que o produto distribuído “não é o Mounjaro”.










