Mpox: como diferenciar as lesões da infecção de outras doenças de pele
Desde janeiro, ao menos 81 casos de mpox foram confirmados em 2026, segundo o Ministério da Saúde. Entre os sinais que mais chamam atenção estão as lesões cutâneas — mas nem sempre é simples distingui-las de outras doenças que também provocam alterações na pele.
A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo da antiga varíola humana. Na maioria das vezes, a infecção evolui de forma benigna e vem acompanhada de sintomas como febre, dor de cabeça, mal-estar e dores no corpo.
Com relação às lesões cutâneas, um estudo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD) analisou 101 casos em 13 países durante o surto de 2022 e mostrou que, em 54% dos pacientes, as lesões de pele surgiram antes mesmo da febre.
Como suspeitar de mpox
Para diferenciar a mpox de outros quadros dermatológicos, o primeiro passo é conhecer o padrão típico da doença.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas costumam aparecer cerca de uma semana após o contato com o vírus, mas o intervalo pode variar de um a 21 dias. Em geral, a doença dura de duas a quatro semanas, podendo se prolongar em pessoas com imunidade comprometida.
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Entre um e cinco dias após a febre, surge a erupção na pele ou nas mucosas. As lesões podem formar bolhas que lembram catapora ou herpes.
Elas costumam aparecer primeiro no rosto e depois se espalhar pelo corpo, podendo atingir inclusive palmas das mãos e solas dos pés. Também são frequentes em áreas de contato direto com o vírus, como boca, genitais e ânus.
A evolução das lesões
As lesões da mpox tendem a seguir uma sequência relativamente característica:
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Começam como manchas planas (máculas)
Evoluem para pápulas (elevações firmes, semelhantes a espinhas)
Transformam-se em vesículas (bolhas com líquido)
Depois viram pústulas (lesões com pus)
Por fim, formam crostas que secam e se desprendem
Mesmo assim, não existe um padrão único. Algumas pessoas desenvolvem apenas uma ou poucas lesões, enquanto outras podem apresentar dezenas ou até centenas. Também há casos assintomáticos.
Diagnóstico exige avaliação médica
Na prática, a confirmação não deve ser feita “a olho nu”. O diagnóstico depende da avaliação de um profissional de saúde, que leva em conta o aspecto das lesões, a história clínica e possíveis exposições.
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Isso porque a mpox pode se confundir com diversas condições, como catapora, sarampo, infecções bacterianas da pele, escabiose (sarna), herpes, sífilis, outras infecções sexualmente transmissíveis e até reações alérgicas.
O exame laboratorial também pode ser importante. Segundo a OMS, o método de escolha é a detecção do DNA viral por PCR (reação em cadeia da polimerase), feita a partir de amostras das próprias lesões.










