O Rei Momo depois do Carnaval: o mito e a obesidade
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Além da folia, o artigo explora a evolução da figura do Rei Momo, do símbolo de fartura na mitologia à sua incorporação no Carnaval. A matéria questiona a glorificação da obesidade, destacando que, por trás do sorriso festivo, escondiam-se sérios riscos à saúde. Descubra como a maior festa do mundo repensou seu monarca.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Foi-se o Carnaval, o evento tradicionalmente aberto por um rei chamado Momo que toma as ruas do Brasil. O nome vem de um deus da mitologia grega que possuía diversos defeitos, e nas festas de Dionísio, era retratado como obeso para simbolizar a fartura, a chacota, os excessos e a alegria.
Na Idade Média, no auge de sua devastadora miséria, ser obeso era símbolo de status, pois demonstrava que você tinha abundância. As histórias de Momo foram abraçadas por contos na Espanha até que, na década de 1930, por obra de jornalistas brasileiros, a figura foi incorporada ao carnaval. Nessa festa ele é recebido com honrarias e lhe é entregue a chave da cidade como simbolismo de abri-la para a folia.
Por anos a imagem do obeso engraçado e feliz foi levada ao grande público, mas por trás desse reinado nem sempre tínhamos um monarca com saúde e contente. No Carnaval, os Reis Momos são celebrados, mas fora dele não recebem a mesma coroação.
A obesidade é uma epidemia mundial e multifatorial. No caso dos portadores de obesidade mórbida, temos uma doença que, por falhas metabólicas, genéticas e fisiológicas, o peso não consegue se manter num padrão saudável.
Não só no carnaval, mas no cinema e na televisão, a figura do obeso sempre foi retratada como o feliz e o engraçado da turma, uma realidade que estatisticamente é falsa. É obvio que a aceitação do corpo é um direito individual, mas estamos aqui para julgar o quesito da doença obesidade.
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Estar fora do peso, principalmente no vultuoso corpo dos antigos Reis Momos, é um risco à saúde. A probabilidade de desenvolver uma diversidade de doenças como diabetes, problemas cardiovasculares, osteoarticulares, cânceres, males crônicos do fígado e dos rins é sabidamente muito maior comparada a quem está no seu peso ideal.
Problemas de locomoção, higiene, preconceito e impossibilidades para prática de atividades físicas acompanharão também essa doença.
Eu mesmo tive a oportunidade de operar um antigo e famoso Rei Momo, que hoje, com menos 70 kg, esbanja saúde, felicidade e muito samba no pé.
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Tivemos que ter finais trágicos, como infartos de Reis Momos, para enxergar além do sorriso e da alegria – e entender que estávamos propagandeando uma doença sem olhar suas graves consequências. Hoje, para o bem do carnaval, não se exige nem se estimula que portadores de obesidade sentem nesse trono.
A passarela do samba só quer uma figura de grande porte, saudável, festiva e com disposição para sambar todos os dias da folia como o mitológico Momo Grego.
O humor, a alegria e a irreverência do Carnaval não precisam ter a obesidade em seu enredo. Ele já tem o peso de ser a maior festa do mundo real.










