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Gesto de Mourinho emocionou Sneijder: "Tinha o filho nos Países Baixos…"


Wesley Sneijder concedeu uma extensa entrevista à edição desta quarta-feira do jornal espanhol Marca, na qual abordou diversos temas, entre eles, o período durante o qual teve a oportunidade de ser orientado por José Mourinho (agora treinador do Benfica), no Internazionale, na temporada de 2009/10.

“Era como um pai. A maneira como ele me convenceu a ir para o Inter, para assinar pelo Inter, foi muito especial. Não queria dizer ‘Special One’, porque isso é fácil de dizer. Ele autodenomina-se ‘Special One’, e sem dúvida que o é, mas é um verdadeiro pai, e vou dizer-te por quê”, começou por afirmar o antigo internacional neerlandês.
“Passados seis meses, nessa temporada de 2009/10, numa segunda-feira de manhã, ele chamou-me ao escritório dele. Tínhamos um jogo no fim de semana, e disse-me ‘Wes, como é que te sentes?’. Disse-lhe que me sentia bem. Estava emocionado. Continuávamos a ganhar jogos. Mas Mourinho disse ‘Não, vejo que estás um pouco cansado'”, prosseguiu.
“Disse-lhe ‘Não, treinador, estou bem’. Ele disse ‘Não, não, não não, não. Vai ver o teu filho’. O meu filho vivia nos Países Baixos. Disse-lhe que não queria ir, porque queria jogar no fim de semana. Ele disse ‘Não, digo-te que vás e voltes na quinta-feira à noite. Na sexta-feira, treinas, e, no sábado, temos o jogo'”, completou.
O ex-criativo não quis acreditar no que ouvira: “Disse-lhe que, então, só poderia treinar uma vez, na sexta-feira. Ele disse ‘Exato’. Por isso, fui aos Países Baixos, e, nesse momento, senti que era como se fosse meu pai. Queria que fosse ver o meu filho, que passasse tempo com ele que voltasse”.
“Na quinta-feira à noite, estava de volta, no avião, e pensava ‘Bem, o que ele fez por mim’. Não sei se há algum outro treinador que tivesse feito o mesmo por mim, mas tinha de retribuir-lhe, no sábado, e foi isso que fiz. Ele tinha esse papel de pai com todos os jogadores, não era apenas comigo”, atirou.
“Todos lamentámos a saída de Mourinho”
Wesley Sneijder (atualmente, com 41 anos de idade) assumiu, ainda, que a marca que José Mourinho deixou no plantel dos nerazzurri, numa época em que conquistou a Liga dos Campeões, a Serie A e a Taça de Itália, acabou por complicar de sobremaneira a vida a Rafa Benítez, o homem eleito para o substituir, aquando da saída para o Real Madrid.
“Vamos ver, penso que também foi o pior momento para ele se juntar à equipa. Foi depois de José Mourinho. Todos lamentámos a saída dele. Benítez chegou no pior momento do clube. Por isso, tenho de ser justo. Não foi fácil para ele trabalhar connosco, e nós também fizemos com que fosse difícil”, lamentou.
“Não conseguimos ligar-nos bem. Cruzei-me com Benítez há um par de meses, e tivemos uma boa conversa. Ele não é má pessoa. Eu não disse que ele foi mau treinador, porque também alcançou grandes feitos, no futebol. Mas não era a combinação adequada, naquele momento”, rematou.
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