Papa Leão XIV inicia na Turquia a sua primeira viagem oficial
O Papa Leão XIV iniciou esta quinta-feira a sua visita à Turquia, naquela que é a primeira deslocação oficial ao estrangeiro desde que foi eleito chefe da Igreja Católica, há cerca de meio ano. O roteiro ainda inclui uma passagem pelo Líbano, uma semana depois de bombardeamentos israelitas sobre a capital do país.A primeira viagem de Leão XIV foi ainda organizada durante o papado de Francisco e tem como objectivo principal assinalar os 1700 anos desde o concílio de Niceia, um marco fundamental para o desenvolvimento da Igreja Católica. Assim que aterrou em Ancara, o Papa foi recebido pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.Em declarações aos jornalistas a caminho da Turquia, o Papa deixou uma mensagem de união entre todos os povos do mundo, independentemente de crenças e convicções. Leão XIV disse esperar “anunciar, transmitir, proclamar o quão importante é a paz em todo o mundo”. “E convidar todas as pessoas para se juntarem, para procurarem maior unidade e maior harmonia”, acrescentou, citado pela Reuters.
O ponto alto da viagem do Papa será a visita à cidade turca de Iznik, o local onde se situava a antiga Niceia, no qual será comemorado o concílio que ali ocorreu no ano de 325. Foi neste encontro que se estabeleceram alguns dos pilares da Igreja Católica que vigoram até hoje, como a crença de que Jesus de Nazaré é o filho de Deus. O conjunto das decisões teológicas adoptadas em Niceia ficou conhecido como o Credo Niceno, aceite pelos vários ramos do cristianismo até à actualidade.Em Iznik, Leão vai reunir-se com vários líderes religiosos de outras denominações cristãs, incluindo o patriarca Bartolomeu, chefe da Igreja Cristã Ortodoxa, com quem viajará de Istambul. O encontro deverá ser marcado por mensagens de apoio à solidificação dos laços entre os cristãos de todo o mundo.Na Turquia, o Papa irá ainda visitar a Mesquita Azul, em Istambul, à semelhança dos seus dois antecessores, e irá celebrar uma missa campal numa arena na cidade.Na segunda parte da sua viagem, Leão vai estar em Beirute, capital do país com a maior comunidade de cristãos no Médio Oriente, e a necessidade de paz na região deverá ser um dos temas abordados. O Papa vai rezar uma missa no local da explosão no porte de Beirute que em 2020 fez mais de 200 mortos.Apesar dos bombardeamentos israelitas sobre a capital do Líbano na semana passada, o Vaticano decidiu manter os planos para a visita de Leão.Uma novidade será a utilização de inglês pelo Papa durante os seus discursos na viagem, contrariando a regra habitual de uso do italiano.Desde que foi eleito Papa, o norte-americano Robert Prevost tem mantido uma postura mais discreta do que o seu antecessor, o argentino Jorge Bergoglio, cujo papado foi marcado pela intervenção recorrente em assuntos de importância mundial, não escondendo a sua opinião pessoal. Em relação à guerra de Israel na Faixa de Gaza, por exemplo, o Papa Francisco foi multiplicando os apelos à paz e as condenações dos ataques contra civis. Todos os dias desde o início do conflito, Francisco ligava à igreja da Família Sagrada em Gaza.A ocasião da primeira viagem oficial de Leão será revestida de grande atenção por parte dos observadores para se perceber o posicionamento do Papa. “Esta é uma viagem na qual Leão poderá promover um dos temas centrais do seu papado: a paz. E terá em mente dois públicos diferentes”, disse ao Guardian o vaticanista Christopher White, autor de um livro sobre a eleição do primeiro Papa dos EUA.“Um deles será o dos líderes mundiais: a Turquia e o Líbano são localizações estratégicas para que possa redobrar os seus esforços pela paz na Ucrânia e no Médio Oriente”, explica. O segundo público para o qual o Papa se irá dirigir, segundo White, são os fiéis de outras igrejas e religiões com o objectivo de “lembrar aos crentes de que aquilo que partilham é bem maior do que as suas divisões”.










