CIÊNCIA

Liga dos Campeões: Benfica continua a não ser bom, mas o Ajax não é melhor

Só o momento actual do Ajax explica que o Benfica tenha saído de Amesterdão nesta terça-feira com um triunfo (2-0) na Liga dos Campeões. Nesse sentido, a equipa portuguesa encontrou “bom tempo no canal”, beneficiando de muita falta de qualidade (e confiança) neerlandesa para sofrer menos do que seria provável noutro jogo europeu – e convém dizer que ainda aí vêm Nápoles, Juventus e Real Madrid.Neste jogo, nenhuma das equipas somou sequer um golo esperado (0,96 para ambas), estatística que mede a probabilidade de sucesso das finalizações que cria, o que ilustra o parco nível ofensivo mostrado em Amesterdão.José Mourinho montou um plano de jogo pensado para o momento defensivo e poderia ter sofrido bastante mais (Trubin ajudou), mas o importante, dirá o próprio treinador, ficou feito: a equipa já não é, a par do Ajax, a única que não sabe pontuar na Champions.Cinco médiosJosé Mourinho quis que o Benfica levasse a este jogo um meio-campo reforçado, com cinco médios em campo: Enzo, Ríos, Barreiro, Aursnes e Sudakov. A ideia sugeria prudência, mas a equipa apresentou-se audaz e, sobretudo, competente na pressão à saída curta do Ajax.Com Sudakov e Aursnes sempre em zonas interiores, o Benfica jogava, no fundo, em cinco contra três no meio, o que inviabilizava qualquer jogo interior do Ajax.Com Dahl e Dedic também subidos a bloquearem o corredor, a única via possível era o jogo mais directo na frente, mas os neerlandeses nunca quiseram explorar essa via. Havia, portanto, terreno fértil para alguém como Barreiro, destacado como terceiro médio/segundo avançado.No momento defensivo, o luxemburguês era forte na pressão sem bola, juntando-se a Pavlidis a “apertar” os centrais (ambos sem soluções de passe). No momento ofensivo, Barreiro fazia constantes movimentos verticais no espaço.Fê-lo aos 3’ e aos 4’ – a bola não chegou. E fê-lo novamente aos 5’, podendo ganhar um canto (o árbitro assistente não viu o fora-de-jogo). foi esse canto que resultou em cabeceamento de Ríos, defesa do guarda-redes e recarga de Dahl, com um remate forte vindo da esquerda.O golo era tudo aquilo de que uma equipa nervosa e ansiosa precisaria, mas os “encarnados” não baixaram a intensidade. Aos 10’, novamente Barreiro num transporte vertical a lançar Pavlidis num lance de perigo. Aos 15’, outra vez Barreiro envolvido, com novo passe para Pavlidis. Aos 20’, nada de novo: mais uma bola para Barreiro no espaço e livre perigoso ganho por Sudakov. Ao 24’, mais do mesmo: Barreiro a recuperar uma bola e o Benfica a criar perigo.O impacto de Barreiro no jogo da equipa estava a ser tremendo, com todos os lances relevantes a passarem pelos pés ou pelos movimentos do jogador – destacou-se com e sem bola, quase sempre com decisões simples, mesmo que com alguns passes falhados quando o jogo lhe pedia mais requinte entre linhas.Ajax cresceuEsta ideia de jogo era curiosa no sentido em que é totalmente oposta àquela que foi desenvolvida enquanto Lukébakio não se lesionou: o belga está sempre colado à linha lateral para iniciativas individuais, enquanto Aursnes está sempre por dentro, procurando reactivar uma sociedade de sucesso com Dedic (perdida com Lukébakio).
Ainda assim, tudo isto resultava de um jogo algo rudimentar da equipa, já que era pensado a partir do momento sem bola e desenvolvido com jogo directo e transições após recuperação – não havia especial engenho no ataque posicional, com incapacidade de jogar por fora.O Ajax começou a conseguir ligar o jogo quando Bounida passou a jogar mais por dentro, sobretudo porque isso comprometeu mais Dahl e criou uma via de saída – ora por fora, ora por dentro, com confusão entre o lateral e Sudakov relativamente ao acompanhamento ao ala. E ainda houve dois lances de perigo até ao intervalo, com o Benfica a ceder a bola ao Ajax – aos 33’ houve especial perigo, salvo por Trubin.A passividade do Benfica manteve-se após o intervalo e o Ajax podia continuar a colocar bolas na área – Weghorst é sempre perigoso nisso – ou a abrir o campo com Bounida, que passou a movimentar-se de um lado para o outro, baralhando marcações.O ala rematou com perigo aos 49’. Aos 53’, novamente Bounida a pedir a bola por dentro sem marcação e a promover triangulação que deu apoio frontal de Weghorst e finalização a Klaassen, que falhou na cara de Trubin.Defender, defenderSe o Benfica já pouco estava a jogar, menos jogou com o passar dos minutos. A equipa começou a sentir a importância da vitória e o risco era nulo: posses de bola prolongadas e inócuas por zona defensiva.Só voltou a haver jogo nas balizas numa transição do Benfica – novamente perigo criado pelo momento defensivo –, com conclusão de Dedic e defesa do guardião do Ajax.Se dúvidas ainda existissem do plano do Benfica, Mourinho dissipou-as aos 79’, com a entrada de Tomás Araújo para uma defesa a cinco.Já perto dos 90′, o Benfica chegou ao 2-0. Como? Da única forma possível: um movimento de Barreiro no espaço, tabela com Aursnes e finalização do luxemburguês isolado.

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