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Queixas contra a AIMA aumentam 6,46% em relação a 2024


As reclamações contra a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) aumentaram em relação ao ano passado. Segundo dados do Portal da Queixa, houve um aumento de 6,46% de 2024 para 2025.

Entre janeiro e novembro deste ano, foram registadas 1.847 reclamações no Portal da Queixa. No ano anterior, o número tinha sido uma centena mais baixo, com 1.735 queixas – é um aumento de 6,46%, maioritariamente relacionado com falhas operacionais e atrasos prolongados no atendimento.
A maior parte das reclamações referem-se a Problemas Administrativos e Técnicos, que incluem erros em processos, falhas nos sistemas informáticos, e problemas com websites e documentação. Estas queixas compõem 41,53% do total.
“Trata-se da categoria mais crítica e abrangente, afetando diretamente a regularização e permanência legal de milhares de cidadãos”, afirma o Portal da Queixa em comunicado enviado às redações.
Em segundo lugar, surgem Problemas de Atendimento e Comunicação, a representar 22,14% das reclamações. Estes casos implicam dificuldades em obter informação, respostas insuficientes ou inexistentes e falhas no apoio ao cliente.
A última categoria apontada com ainda com alguma relevância nas queixas, prende-se com Atrasos e Falhas de Horário. Ou seja, situações de espera prolongada em marcações, incumprimento de prazos e ausência de datas para recolha de dados biométricos ou emissão de documentos. Representam 22,14% das reclamações.
De realçar ainda 6,33% de queixas devido a problemas financeiros; 6,06% quanto à qualidade de serviço; e 4,87% relacionadas com questões legais e de segurança.
No portal multiplicam-se os casos de insatisfação com a AIMA e com as sucessivas demoras e faltas de resposta da agência.
“Estou há dois anos a tentar trazer os meus pais idosos para Portugal, mas não consigo agendamento na AIMA”, contou Arvind Singh. “Estamos a chorar todos os dias.”
Um outro imigrante, Zixuan Guo disse estar impossibilitado de viajar para fora de Portugal, por não conseguir marcação para a recolha dos seus dados biométricos: “Isto está a causar grandes inconvenientes; não posso sair de Portugal para visitar os meus pais.”
Na sua maioria quem efetua as reclamações são homens (55,77%) e pessoas mais jovens, com idades entre os 25 e os 34 anos (41,96%). Moram principalmente nos grandes centros urbanos, com Lisboa a liderar com 34,92% das queixas. É seguida pelo Porto (17,38%), Setúbal (10,40%), Faro (6,77%) e Braga (5,96%).
Perante tudo isto, a AIMA tem um Índice de Satisfação Fraco, com uma nota de 18 em 100 valores. As Taxas de Resposta e de Solução rondam os 13%, estando também bastante baixas.
A agência foi criada em 2023 como forma de substituir o antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, mais conhecido por SEF. Dele herdou milhares de processos de migração pendentes – alguns dos quais continuam por resolver dois anos depois. 
Os dados mais recentes dizem que dos 300 mil estrangeiros que aguardavam por autorização de residência no final do ano passado, 187 mil tiveram pareceres favoráveis.

São quase 8 mil pessoas por mês a recorrer aos tribunais para conseguir apenas uma marcação na AIMA para fazer o pedido de autorização (ou renovação) de residência. Em atraso estão mais de 54 mil processos.
Natacha Nunes Costa | 09:20 – 02/07/2025

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