Maurício Pereira apresenta <em>Micro</em> na Casa Capitão e no Festival Bilhó em Chaves
Dois meses depois de se ter estreado a solo em Portugal, em Leiria, o cantor e compositor Maurício Pereira, figura de proa da música independente brasileira, está de volta para três concertos, desta vez em Lisboa, Chaves e Porto, no meio de um turbilhão de outras coisas. “O meu primeiro semestre foi muito parado, porque estou gravando um disco novo, então fiz poucos shows”, diz ele ao PÚBLICO, por telefone, ainda no Brasil, dias antes de rumar a Portugal. “Mas o segundo tem sido uma loucura. Desde que eu fui a Portugal, em Setembro, se acumularam coisas. Um show ontem, um show sábado, gravação segunda, quarta vou para Portugal. Vida de artista é assim, de zero a mil!”Desta vez, Maurício Pereira apresenta dois concertos acompanhados por oficinas de escrita de canções. Começa por Lisboa, no sábado, dia 22, na Casa Capitão, com oficina às 11h e concerto às 21h, e actua no domingo, dia 23, em Chaves, no Festival Bilhó (também às 21h), com oficina no dia seguinte, na Escola Dr. António Granjo. Depois deles, actuará ainda no Outsite Mouco, no Porto, dia 27 de Novembro pelas 21h.Os concertos continuam a ter por base o espectáculo Micro, com o guitarrista Tonho Penhasco, que também estará com Maurício Pereira neste seu regresso. A estreia de Micro em Leiria, no dia 13 de Setembro, “foi muito surpreendente”, diz Maurício. “Era a inauguração de um centro cultural, tinha muito público e muitas actividades. Fiquei lá para o dia seguinte e algumas coisas me surpreenderam. Primeiro, a quantidade de pessoas, numa cidade não muito grande, que apareceu para desfrutar da inauguração; depois, achei o público muito atento, no caso do meu show, para um artista que eles não conheciam. Achei Leiria uma cidade muito aberta à cultura. No Brasil, uma cidade daquela dimensão não tem tanta oferta cultural. Foi uma passagem muito intensa.”
A gravação do disco ocorre no meio dos espectáculos que tem vindo a fazer. “Eu tenho um ciclo de produção lento”, confessa. “A cada quatro ou cinco anos, escrevo dez a vinte canções e só depois vou gravar. No meio tempo, não escrevo quase nada, vou fazer show, é como se a minha mente hibernasse. Então, essas canções que estou gravando agora são textos que escrevi na pandemia [da covid-19], num momento de fechamento, em 2021 e 2022. Escrevi 18 letras que dividi em dois discos. E estou gravando a primeira parte.”O primeiro álbum desta série, que conta lançar em 2026, ainda não tem título e deverá assentar mais na poesia: “São canções menos lineares, funcionei muito pela psique, pela livre associação, pensei mais como um poeta do que como um compositor. Montei uma banda nova, o Tonho Penhasco está na banda, mas tem jovens também. Acho que vai ser um disco mais virado para a poesia do que para a canção, se é que posso dizer assim.”










