Brasil cobra do Governo de Portugal explicações sobre agressão a estudante brasileiro
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A violência sofrida pelo estudante brasileiro José, de apenas 9 anos, que teve dois dedos da mão esquerda decepados por dois alunos da Escola Básica de Fonte Coberta, em Cinfães, levou o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, a fazer uma cobrança pública ao Governo do primeiro-ministro, Luís Montenegro.Segundo o embaixador, ele enviou, na terça-feira, 18 de novembro, um comunicado oficial à ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, e ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, pedindo informações “sobre as providências que estão sendo tomadas em relação ao caso, bem como acerca dos seus desdobramentos”.Na avaliação do embaixador, a agressão sofrida pelo estudante brasileiro foi “lamentável”. Carreiro destacou que a embaixada e o Consulado-Geral do Brasil no Porto estão em contato direto com a família do estudante, prestando assistência jurídica e psicológica. A violência contra José, que ficou com dois dedos menores que o normal, pois os médicos não conseguiram reimplantar as partes que foram mutiladas, provocou indignação no Governo Lula.
O Governo brasileiro, por sinal, vai acelerar as campanhas contra a xenofobia em Portugal. Tanto a embaixada quanto o Consulado-Geral em Lisboa e a representação do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão comprometidos em promover debates, rodas de conversas e outras atividades que contribuam para conter os ataques de ódio em território luso, que têm os brasileiros como principais alvos.Pontos e aniversárioNesta quarta-feira, 19 de novembro, o estudante José, que é destro, vai tirar os pontos da mão. Na quinta-feira, 20, é aniversário dele de 10 anos. Segundo a mãe do menino, Nívia Estevam, haverá apenas uma reunião de família — ela, o filho e o marido estão na casa dos sogros, em Santa Maria da Feira. “Faremos um café da manhã e ele apagará uma velinha”, diz. José não pediu presentes, mas receberá algumas lembrancinhas de familiares e amigos. O estudante ainda está muito assustado com tudo o que sofreu.Nívia espera que a violência contra José seja punida com rigor, para que não se repita com outras crianças. Carlos Silveira, diretor do Agrupamento de Escolas de Souselo, que abrange o colégio onde o estudante brasileiro está matriculado, afirma que foi aberto um inquérito interno para apurar o que aconteceu, “dando cumprimento à legislação em vigor”. O Ministério da Educação também assegura que a Inspeção-Geral da Educação e Ciência determinou a “abertura de um processo de averiguações sobre o incidente”.
A advogada Ana Paula Filomeno, que lidera um grupo de 18 profissionais do direito que prestarão assistência à família de José, acredita que o menino foi vítima de ataque de ódio, movimento disseminado em Portugal pela extrema-direita. Para ela, crianças como as que deceparam os dois dedos do estudante brasileiro refletem o que os pais pensam e dizem. “O fato de a agressão contra um menino de 9 anos ter ocorrido dentro de uma escola é gravíssimo”, assinala.A mãe do garoto ressalta que, em nenhum momento, no dia da agressão, 10 de novembro, a escola de José deu a devida importância ao caso, tratado como “brincadeira de crianças que acabou mal”. Quando ela chegou ao colégio, os funcionários já tinham limpado o local onde seu deu a violência — os dois agressores prenderam a mão de José na porta do banheiro. Também a polícia e o INEN, serviço de ambulância, só foram chamados depois que ela chegou à escola.
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