TECNOLOGIA

Governo britânico vai proibir revenda de bilhetes para espectáculos com lucro

O Governo britânico prepara-se para banir a revenda de bilhetes para eventos ao vivo com lucro, numa medida que deverá ser anunciada esta semana, segundo apurou o The Guardian. A proposta visa conter a actividade de revendedores profissionais e de plataformas como a Viagogo e a StubHub, que têm inflacionado os preços para espectáculos de forma abusiva.Até agora tinha sido considerado permitir que revendedores — e consumidores comuns — vendessem bilhetes para espectáculos até 30 % acima do preço original. A nova legislação vai mais longe: qualquer bilhete só poderá ser revendido pelo valor que foi originalmente pago, sem margem para lucro. As plataformas poderão continuar a cobrar comissões, mas terão limites para evitar inflações de preço artificiais.A decisão deverá ser formalizada na quarta-feira. As novas regras vão abranger também as redes sociais, que, segundo o executivo, poderiam servir de canal paralelo para revenda não regulada. Quem revender bilhetes para eventos ao vivo ficará proibido de anunciar mais bilhetes do que aqueles que poderia comprar legalmente junto da bilheteira original. O Governo descartou a criação de um sistema de licenciamento para empresas de revenda, optando por responsabilizar legalmente as plataformas caso os vendedores incumpram a lei. A fiscalização ficará a cargo da Autoridade da Concorrência e dos Mercados.Dezenas de artistas de renome mundial — entre eles os Radiohead, Dua Lipa e Coldplay — têm apelado a Keir Starmer para que realize uma intervenção firme contra os revendedores, acusando-os de explorarem os fãs. Também músicos como Ed Sheeran e os Pixies criticaram práticas especulativas, especialmente no seguimento da reunião dos Oasis.Uma investigação do The Guardian revelou que revendedores profissionais colocaram centenas de bilhetes para eventos ao vivo à venda. Três revendedores britânicos, por exemplo, anunciaram dezenas de bilhetes para os concertos dos Oasis num total de 26 mil libras (cerca de 29.500 euros), e uma empresa cipriota chegou a disponibilizar 1 596 bilhetes para a mesma digressão na StubHub.Alguns bilhetes atingiram valores verdadeiramente exorbitantes: para os Oasis em Wembley, um bilhete chegou a custar 3498 libras (cerca de 3970 euros) na StubHub e 4442 libras (cerca de 5040 euros) na Viagogo; para Coldplay, também em Wembley, havia bilhetes por 815 libras (cerca de 925 euros) na StubHub; e no festival All Points East, em Victoria Park, Londres, com Raye no cartaz, foi registado um anúncio de 114.666 libras (cerca de 130.300 euros) na Viagogo.Segundo estimativas da O2, estas práticas de revenda custam aos fãs britânicos cerca de  145  milhões de libras por ano (aproximadamente 165 milhões de euros), em parte devido ao uso de bots e à chamada “venda especulativa”, em que bilhetes para determinados eventos são anunciados antes mesmo de existir confirmação da sua disponibilidade.O The Guardian também revelou que revendedores se reuniram secretamente para planear uma estratégia de lobby. Num evento promovido pela Aliança para a Justiça nos Bilhetes (CTF em inglês) foram angariadas mais de 73 mil libras (cerca de 83 mil euros) para contratar lobistas e travar propostas do Partido Trabalhista para limitar a revenda a 10 % acima do preço original. Representantes de plataformas como a Viagogo e a StubHub participaram e discutiram tácticas para influenciar deputados.Há ainda casos judiciais: quatro homens ligados à TQ Tickets foram condenados por “comércio fraudulento” após terem vendido bilhetes para espectáculos no valor de 6,5 milhões de libras (cerca de 7,4 milhões euros), utilizando identidades falsas, “venda especulativa” e outras práticas ilegais.A ministra da Cultura britânica, Lisa Nandy, qualificou a situação como uma “miséria” para os fãs e defendeu que todos devem ter uma hipótese justa de comprar bilhetes para espectáculos a preços reais. Do lado contrário, as plataformas alertam que limites rígidos nos preços podem empurrar a revenda para mercados paralelos menos seguros, mas muitos artistas e entidades como a O2 defendem que a regulamentação é urgente e necessária.

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