CIÊNCIA

China estende exercícios militares no mar Amarelo. Japão avisa população sobre segurança

A China estendeu as manobras com fogo real no mar Amarelo por mais oito dias, num contexto de tensões com o Japão, após Tóquio avisar que um ataque a Taiwan poderia representar uma crise securitária para o país.De acordo com um comunicado divulgado na segunda-feira, 17 de Novembro, à noite pela Administração de Segurança Marítima da China (MSA, na sigla em inglês), os exercícios ocorrem até 25 de Novembro, diariamente, das 8h às 18h (00h e 10h em Lisboa), numa área do sul do mar Amarelo, onde a navegação está totalmente proibida. O comunicado não especifica os recursos militares envolvidos nem o objectivo específico do exercício.O novo alerta sucede a outro emitido no sábado, referente a exercícios militares na região central do mar Amarelo, que começaram na segunda-feira.O prolongamento destes exercícios coincide com um ressurgimento da retórica oficial chinesa contra Tóquio, após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que sugeriu que um ataque chinês a Taiwan poderia colocar o Japão numa “situação de crise” e justificar uma intervenção das forças armadas nipónicas no estreito.O Governo japonês enviou um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros a Pequim na segunda-feira, para tentar conter a escalada da retórica. Tóquio insiste que a posição em relação a Taiwan não mudou e que qualquer disputa deve ser resolvida pacificamente.A China endureceu as mensagens transmitidas, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país emitiu um alerta, na sexta-feira, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança. Este aviso foi replicado, no domingo, pelas autoridades das duas regiões administrativas especiais chinesas de Macau e Hong Kong.Os chineses representam, actualmente, quase um quarto de todos os turistas no Japão, de acordo com dados oficiais, o que pode representar uma queda considerável na economia nipónica. Além do turismo, o Japão depende fortemente da China para o fornecimento de minerais essenciais para serviços, desde a electrónica aos automóveis.”Se dependermos excessivamente de um país que recorre à coerção económica assim que algo o desagrada, isso cria riscos não só para as cadeias de abastecimento, mas também para o turismo”, afirmou a ministra da Segurança Económica do Japão, Kimi Onoda, numa conferência de imprensa na terça-feira. “Precisamos reconhecer que é perigoso depender economicamente de um lugar que comporta este tipo de riscos”, acrescentou, respondendo a uma pergunta sobre os apelos da China para que seus cidadãos evitem viajar para o Japão.O ministro do Comércio do Japão, Ryosei Akazawa, disse na terça-feira que não houve mudanças específicas nas medidas de controlo de exportação da China sobre nenhum material até este momento.Os dirigentes das três federações empresariais japonesas reuniram-se com Takaichi na segunda-feira à noite e urgiram ao diálogo para resolver as tensões diplomáticas. “A estabilidade política é um pré-requisito para o intercâmbio económico”, afirmou Yoshinobu Tsutsui, presidente da maior federação empresarial japonesa, Keidanren, aos jornalistas após a reunião, de acordo com relatos da imprensa.Japão pede que se evitem multidõesO Japão alertou os seus cidadãos na China para que reforcem as precauções de segurança e evitem locais com multidões devido à disputa entre as duas maiores economias da Ásia.Um diplomata chinês no Japão publicou, nas suas redes sociais, um comentário contra Taikaichi, o que levou a uma reprimenda de Tóquio mas não conseguiu conter uma onda de comentários odiosos sobre a primeira-ministra nos meios de comunicação estatais chineses.Em resposta a esses conteúdos, a embaixada do Japão relembrou, na segunda-feira, os seus cidadãos em território chinês para respeitarem a cultura local e terem cuidado com as interacções com chineses. Foi pedido que os japoneses estivessem em estado de alerta aquando no exterior e foi aconselhado a que não viajem sozinhos, com cuidado extra se acompanhados de crianças.”Se virem uma pessoa ou grupo que pareça minimamente suspeito, não se aproximem e saiam daquela zona imediatamente”, diz o aviso da embaixada japonesa.As distribuidoras de filmes japonesas na China também suspenderam a transmissão de dois filmes, como uma “decisão prudente” que teve em consideração a deterioração do sentimento da audiência.O que se passa com Taiwan?Pequim reivindica Taiwan, governada democraticamente, como sua e não descarta o uso da força para assumir o controlo da ilha. O Governo de Taiwan rejeita as reivindicações de Pequim e afirma que apenas o seu povo pode decidir o futuro da ilha.Taiwan fica a pouco mais de 110 quilómetros do território japonês e as águas ao redor da ilha fornecem uma rota marítima vital para o comércio do qual Tóquio depende. O Japão também abriga o maior contingente militar dos EUA no exterior.No domingo, navios da guarda costeira chinesa navegaram pelas águas ao redor de um grupo de ilhas do Mar da China Oriental controladas pelo Japão, mas reivindicadas pela China. A guarda costeira japonesa disse que expulsou os navios chineses.


Os EUA não reconhecem formalmente as ilhas, conhecidas como Senkaku em Tóquio e Diaoyu em Pequim, como território soberano japonês, mas desde 2014 afirmam que seriam obrigados a defendê-las se fossem atacadas, nos termos do tratado de segurança entre o Japão e os EUA. “Caso alguém tenha dúvidas, os Estados Unidos estão totalmente comprometidos com a defesa do Japão, o que inclui as ilhas Senkaku. E as formações de navios da guarda costeira chinesa não mudarão isso”, disse o embaixador dos EUA no Japão, George Glass, no X.A cimeira do G20 desta semana na África do Sul proporcionou um fórum potencial para ajudar a aliviar as tensões, mas a China disse que o seu primeiro-ministro não tem planos de se encontrar com Takaichi à margem da reunião. Kihara disse que nada foi decidido sobre reuniões bilaterais durante o G20, mas que o Japão continua aberto a realizar “vários diálogos” com a China.

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