CIÊNCIA

Startup traz para Portugal cosméticos a partir de plantas da Amazônia

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No meio da crise, buscar uma saída em outra área. Esse foi o caminho adotado pela maranhense Carol Frota, 35 anos, para a criação da sua startup, a Sintropia Cosméticos Naturais.A história da empresa, criada pela arquiteta, natural de São Luís, começou há cinco anos. “Durante a pandemia não estava conseguindo trabalhar. Eu sempre gostei dessa área, tenho pós-graduação em formulação cosmética e aromaterapia e estudos em fitoterapia. Vi, nessa época, a possibilidade de negócio nessa área e comecei a criar os cosméticos”, conta.A ideia era trabalhar com agrofloresta. “O que nós fazemos é transformar artigos agroflorestais em cosméticos naturais”, descreve.Quando surgiu, em 2020, era algo informal. “Eu vendia para amigas, para a família, por aplicativo de mensagens, era para ajudar a compor a renda. Em 2024, me formalizei. Criei a empresa e registrei os produtos na Anvisa”, recorda Carol, que agora está buscando as patentes para seus produtos.Os produtos criados por Carol vêm de plantas de que a maior parte das pessoas fora da Amazônia não ouviu falar. Tem copaíba, breu branco, priprioca, babaçu e cumaru. “O Maranhão é a porta da Amazônia. Priprioca é um rizoma que só existe na Amazônia. O breu branco é uma resina da região. O cumaru é uma madeira usada para a construção. Mas o que a gente usa é o coco do cumaru”, cita.Quanto ao babaçu, ela afirma que está ajudando quem trabalha com esse coco. Estamos melhorando a cadeia do babaçu. A maior parte do coco é quebrada manualmente, na machadinha. Existem máquinas, mas a qualidade não é a mesma. Nós estamos levando qualidade de vida para as quebradeiras”, assegura Carol, contando que quebrar o babaçu é uma atividade tipicamente de mulheres.Atualmente, a Sintropia tem duas linhas, com um total de 20 produtos. “Uma é de bem-estar, focada nos aromas. A outra é de dermocosméticos, usados para o tratamento da pele. Temos produtos para acne, rosácea e melasma”, diz Carol. A rosácea é uma inflamação crônica da pele, caracterizada pela vermelhidão, e a melasma tem como marca manchas marrons na pele, resultado da produção anormal de melanina.Incubação em PortugalA empresa de Carol começou praticamente sem capital. “Eu recebia o auxílio emergencial, mas quem mantinha a casa era o meu marido. Eu recebia 600 reais por mês, e investia tudo na produção de cosméticos”, recorda.A ideia de dar o salto para criar a empresa foi resultado de um acaso. “Uma cliente trabalhava no Sebrae e sugeriu que eu me candidatasse. Fiz o pitch e passei. Já obtive três acelerações”, conta Carol, que contabiliza um investimento de 70 mil reais na Sintropia.A partir de fevereiro, a Sintropia vai ficar nove meses em incubação na sede da ApexBrasil, em Lisboa. Serão três meses para tratar dos trâmites burocráticos e seis meses voltados para a internacionalização.Em Portugal, onde esteve dentro da comitiva da ApexBrasil e do Sebrae para o Web Summit de Lisboa, o objetivo é conseguir investimentos e internacionalizar a venda de produtos. “Eu gostaria de parceiros para conseguir 1,3 milhão de reais. Com isso, vou poder montar uma fábrica”, afirma. Atualmente, a produção é terceirizada. A fábrica com que trabalha leva 40 dias para entregar as encomendas e exige 50% do pagamento antecipadamente.Com um faturamento de 20 mil reais por mês, Carol acredita que o grande desafio é ampliar o mercado e, para isso, terá que ultrapassar a barreira da imagem que o Maranhão tem. “Eu venho de um estado com o IDH mais baixo do Brasil. E cosméticos precisam de validação social. As pessoas compram depois de conhecer alguém que experimentou”, observa Carol.De Lisboa, Carol seguiu para Belém do Pará. “Vou participar da COP30, que tem um Marketplace de bioeconomia. O foco é como os produtos regenerativos naturais podem ser aliados de uma economia de impacto positivo, ajudando a manter a floresta em pé”, explica.
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