Cotrim Figueiredo admite que as suas reformas teriam “custos de transição”
O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo admitiu que as suas propostas de reformas teriam “custos de transição” e poderiam ser impopulares em alguns sectores e assegurou que, caso seja eleito, não irá “mexer uma palha” para haver revisão constitucional. Em entrevista à agência Lusa, Cotrim Figueiredo disse gostar de ver “reformas acontecer e a mudança a ser acompanhada”, apesar de reconhecer que “as reformas geram sempre resistência”.Cotrim Figueiredo considerou que o importante é que esses “custos de transição sejam devidamente calculados para que não haja ninguém deixado para trás”, defendendo que se estaria a “deixar mais pessoas para trás, a prejudicar mais as pessoas”, se não se fizerem as reformas.O candidato presidencial deu o exemplo da reforma da Segurança Social, que considerou ser necessária para garantir que o sistema se torna sustentável, o que irá requerer um “esforço orçamental”. “Se estamos interessados em que este problema intergeracional, esta injustiça seja corrigida, temos de estar disponíveis para um período de adaptação, de transição”, indicou.“Dor tipo troika”Sobre se considera que o período da troika foi um desses momentos em que foram feitas reformas necessárias mas dolorosas, Cotrim Figueiredo criticou o facto de se pôr “reformas e troika no mesmo barco”, considerando que isso é “perigosíssimo do ponto de vista da criação de um clima, na opinião pública, quase de medo”.”Não queiram criar nas pessoas a ideia de que reformar é igual a dor tipo troika. Isso é o pior favor que se pode fazer à democracia porque é dizer às pessoas que é possível fazer e evoluir sem que nada mude”, disse, salientando que é uma questão de responsabilidade avisar que as reformas terão custos.Depois de, quando era líder da IL, ter defendido a necessidade de uma revisão constitucional, Cotrim Figueiredo disse que a sua opinião sobre o assunto é conhecida, mas assegurou que, enquanto Presidente da República, irá manter a neutralidade e não irá mexer “uma palha” para que se altere a lei fundamental.”Chega entretém no TikTok, mas não resolve nada”Cotrim Figueiredo quer cativar abstencionistas, indecisos e eleitores que vão do PS ao Chega e considera já estar a beneficiar de uma transferência de votos das candidaturas de António José Seguro, Luís Marques Mendes e André Ventura. O candidato acredita que irá conseguir chegar à segunda volta das eleições presidenciais.Questionado sobre quem é que identifica como os seus principais adversários em termos de disputa de eleitorado, Cotrim Figueiredo disse que ainda não consegue dizer, mas referiu que tem recebido apoios sobretudo da área das candidaturas de Luís Marques Mendes e de António José Seguro, mas também, entre os jovens, de André Ventura. “No Chega, curiosamente, o que me tem agradado, e já vi que desagradado ao presidente do Chega, é o facto de haver muita juventude do Chega que percebe que a indignação é gira, é engraçada para entreter no TikTok, mas não resolve nada”, referiu.Caso chegue a Belém, Cotrim Figueiredo trataria um Governo do Chega como o de qualquer outra cor política, mas mostraria que é um Presidente da República com o qual “não dá para brincar”. “As pessoas que acham que o Presidente da República é eleito para defender uma determinada posição partidária ou ideológica estão enganadas quanto à função constitucionalmente prevista para o Presidente. Não é essa”, afirmou.Garantias constitucionaisSobre se, para dar posse a um Governo do Chega, não pediria qualquer tipo de compromisso formal, à semelhança de Luís Marques Mendes, que já disse que poderia exigir “um documento escrito de garantias constitucionais”, Cotrim Figueiredo perguntou “qual é a validade prática dessa assinatura” e o “que é que acontece se esse acordo for incumprido”. “Mais vale fazer uma análise muito mais séria da personalidade das pessoas, fazer ver à pessoa que, com aquele Presidente da República, não dá para brincar. E é esse o entendimento: não é escrito, é um entendimento pessoal de influência”, frisou.Cotrim Figueiredo assegurou que, se recebesse em Belém diplomas potencialmente inconstitucionais de um Governo do Chega, não teria “qualquer pejo” em enviar “30 diplomas por mês para a fiscalização” do Tribunal Constitucional.”Lamento dar tanto trabalho ao Tribunal Constitucional, mas é para isso que ele existe. E isso não tem problema absolutamente nenhum. Esse partido ou qualquer outro”, referiu, frisando que estaria atento a essas questões independentemente da cor política do Governo.










