Sindicatos da agência Lusa acusam administração de “teatro de sombras”
Os sindicatos representativos dos trabalhadores da agência Lusa acusaram nesta quinta-feira a administração da empresa de ter conduzido “um teatro de sombras” nas negociações laborais dos últimos meses, ao mesmo tempo que preparava, sem informar os representantes dos trabalhadores, um plano de reestruturação que prevê saídas por acordo.Em comunicado conjunto, os delegados sindicais do Sindicato dos Jornalistas (SJ), do Sitese e do Site-CRSA afirmam ter sido surpreendidos com a inscrição de oioto milhões de euros no Orçamento do Estado para 2026 destinados a um “Plano de Reestruturação para a Lusa”, depois de meses de negociações sem avanços sobre aumentos salariais, diuturnidades, regimes de adaptabilidade e pagamento de horas nocturnas.Os sindicatos recordam que tinham aceitado o aumento salarial aplicado à função pública “com o compromisso de que as negociações seriam retomadas assim que o novo Governo tomasse posse e houvesse novo ministro com a tutela da comunicação social”. No entanto, dizem, “à medida que as várias reuniões se foram sucedendo, a resposta da administração foi sempre a mesma: não havia orçamento”.A revelação de um plano de reestruturação apanhou as estruturas sindicais de surpresa. Segundo o comunicado, o presidente do conselho de administração da Lusa, Joaquim Carreira, confirmou que apresentou à tutela um plano de saídas de trabalhadores por acordo.“Ficámos a saber que, enquanto andávamos em negociações, afinal já estava previsto rescindir com trabalhadores e nunca os sindicatos foram disso informados, fazendo-nos personagens de um teatro de sombras, iludindo com aparências enganosas”, denunciam as estruturas.Os sindicatos afirmam que “nunca houve intenção real de negociar” e que “há dinheiro para cortes, mas não há dinheiro para valorizar os trabalhadores”.O documento critica ainda o objectivo de promover “sinergias com a RTP”, alertando que tal poderá pôr “em causa a autonomia e a independência estratégica da Lusa”.Face ao que consideram ser uma “falta de transparência e de respeito pelos trabalhadores”, os sindicatos anunciaram que irão convocar um plenário de trabalhadores para decidir os próximos passos.










