CIÊNCIA

André já é ex-príncipe e nos EUA querem ouvi-lo sobre Epstein

O rei Carlos de Inglaterra retirou oficialmente ao irmão André o título de príncipe e o tratamento de “sua alteza real”, cerca de uma semana após ter anunciado a intenção publicamente. André passa assim a responder pelo nome de registo: Andrew Mountbatten Windsor. Ao mesmo tempo, o congressista democrata Robert Garcia (Califórnia), membro destacado da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA, pediu que o ex-duque de York seja ouvido pelo Congresso numa entrevista transcrita sobre o caso do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, segundo noticiam os jornais Washington Post e The Guardian.O pedido do congressista surge no âmbito da investigação bipartidária em curso da comissão ao caso Epstein. O nome de André aparece em vários documentos obtidos por intimação e já tornados públicos, incluindo registos de voos. André, que não respondeu a pedidos de comentário, nega qualquer envolvimento.A decisão do rei Carlos III de despojar André dos seus títulos, anunciada há uma semana, foi formalizada através de uma carta patente emitida sob o grande selo do reino e publicada nesta quarta-feira na Gazette, o registo público oficial do Reino Unido.O documento declara que André “deixará de ter direito a usar o título de ‘sua alteza real’ (HRH, na sigla original) e a dignidade titular de ‘príncipe’”, enquanto outra entrada confirma a remoção do seu título de duque de York, referindo que o rei ordenou “por mandado real datado de 30 de Outubro de 2025” a retirada imediata do nome de André da lista oficial da nobreza.A medida surge após a escalada da polémica em torno das ligações do antigo príncipe ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, reacendida pela publicação póstuma das memórias de Virginia Giuffre. Giuffre alega ter sido abusada sexualmente por André depois de ter sido traficada por Epstein — acusações que o ex-duque nega veementemente.Carlos tomou a decisão ao abrigo da sua prerrogativa real, após consulta ao Gabinete do Governo, evitando assim um processo parlamentar. As cartas patentes e os mandados reais são instrumentos usados para conceder — ou retirar — títulos e honras, e como o título HRH é conferido por carta patente, pode ser revogado pelo mesmo meio.Após o anúncio do Palácio de Buckingham, o vice-primeiro-ministro, David Lammy, recebeu instruções para preparar toda a documentação necessária à execução da decisão. O antigo príncipe manterá apenas a medalha do Atlântico Sul, atribuída pelo seu serviço como co-piloto de helicóptero durante a guerra das Malvinas.A decisão, que inclui também a devolução da Royal Lodge, propriedade com 30 divisões em Windsor onde André residia há duas décadas, contou com o apoio total do Governo britânico. Espera-se que o irmão do rei se mude em breve para Sandringham, para uma residência privada.Entretanto, a Polícia Metropolitana de Londres está a investigar alegações de que André terá pedido a um guarda-costas pertencente às forças de segurança para reunir informações comprometedoras sobre Giuffre.Pressão política nos EUANos Estados Unidos, o caso Epstein continua a gerar pressão política. Legisladores de ambos os partidos exigem a divulgação de documentos que possam esclarecer as circunstâncias da morte e dos crimes do milionário. A Comissão de Supervisão intimou o Departamento de Justiça a entregar relatórios da investigação e pediu acesso aos arquivos do espólio de Epstein, além de ter conduzido entrevistas com pessoas ligadas ao caso.Alguns documentos — como o livro de aniversários, uma versão do testamento de Epstein, o acordo de não-acusação de 2007 com o Ministério Público Federal da Florida e partes dos livros de endereços e diários pessoais — já foram divulgados, ainda que com cortes. Também vieram a público transcrições de entrevistas com Alexander Acosta, ex-secretário do Trabalho que supervisionou o polémico acordo judicial de Epstein, e com William P. Barr, ex-procurador-geral dos EUA.Os arquivos do Departamento de Justiça continuam, no entanto, selados. Uma nova iniciativa bipartidária, liderada pelos deputados Thomas Massie (republicano do Kentucky) e Ro Khanna (democrata da Califórnia), tenta forçar a sua divulgação através de uma petição de destituição. Se a iniciativa reunir 218 assinaturas, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson (Luisiana), será obrigado a levar o tema a votação.Johnson tem sido criticado por se recusar a empossar a democrata Adelita Grijalva (Arizona), eleita em Setembro para suceder ao pai, Raúl Grijalva, enquanto o Congresso continua paralisado pela falta de orçamento. Grijalva prometeu ser a 218.ª assinatura da petição, e os democratas têm protestado contra o atraso.

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