Dividendos de mil milhões “são compatíveis com os resultados” da Caixa, diz Paulo Macedo
O Estado conta receber um dividendo em torno dos mil milhões de euros da parte da Caixa Geral de Depósitos (CGD), relativo aos resultados deste ano – que, para já, estão em níveis recorde. O presidente executivo do banco público confirma que este valor é “compatível com os resultados e com o capital disponível”, embora antecipe que, nos próximos anos, os lucros deverão reduzir-se, penalizados pela queda das taxas de juro.Paulo Macedo falava, nesta quinta-feira, durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados trimestrais da Caixa, que alcançou lucros recorde de 1,4 mil milhões de euros no acumulado de Janeiro a Setembro deste ano. Questionado sobre a distribuição de dividendos relativos ao exercício do conjunto deste ano, o responsável confirmou o valor que está previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2026, apresentada pelo Governo no mês passado.”Os mil milhões são compatíveis com os resultados e com capital disponível da Caixa. Estamos conscientes de que a Caixa é responsável por mais de 85% dos dividendos que o Estado arrecadará de todas as suas participações financeiras e achamos que temos boas perspectivas de continuar a devolver o dinheiro que foi aqui investido”, disse Paulo Macedo, adiantando que o montante já foi, aliás, analisado pelos administradores do banco. “Este montante é aquele que o conselho de administração da Caixa, face ao que tem previsto para os resultados, entendeu como razoável poder ser distribuído”, resumiu, ressalvando que, existindo “condições de força maior”, o valor do dividendo a distribuir poderá ser revisto.Seja como for, mantendo-se as condições actuais, a distribuição de um dividendo desta dimensão – que, a confirmar-se, será o mais elevado da história do banco público – permitirá à Caixa manter rácios de capital muito acima dos mínimos exigidos, garantiu ainda Paulo Macedo. No final de Setembro deste ano, o rácio de common equity tier (CET) 1, indicador que mede o nível de fundos próprios principais de um banco, era de 21,3%, acima dos requisitos regulamentares e já após a dedução dos 850 milhões de euros que a Caixa pagou ao Estado português em dividendos relativos ao exercício de 2024.O presidente da Caixa considera que “poderia haver uma distribuição maior dos resultados”, mas salienta a “conjuntura incerta” em que o banco opera. Ainda assim, sublinhou: “O dinheiro, primeiro, tem de ser devolvido. Depois, o que foi cá posto tem de ser remunerado”, afirmou, referindo-se às ajudas públicas recebidas pela Caixa.“Não gosto de impostos extraordinários”Quanto à nova taxa sobre o sector bancário, que o Governo pretende apresentar à Assembleia da República durante o primeiro semestre do próximo ano e que será uma alternativa à taxa adicional de solidariedade sobre a banca que foi considerada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, Paulo Macedo diz apenas que terá de se garantir a legalidade desta medida.”Não gosto de impostos extraordinários e gosto e de estruturas fiscais simples, que se mantenham no tempo. Enquanto presidente da Caixa, deixei bastante evidente o valor mais significativo para o país que a Caixa paga de impostos. As taxas adicionais terão de se ver se são justificáveis, se são legais e se fazem sentido numa determinada conjuntura”, disse apenas.










