FC Porto leva os pontos, Sp. Braga leva um intenso sabor a nada
Mais posse de bola, mais domínio, mais ataque posicional e mais soluções por dentro e por fora – foi assim o jogo do Sporting de Braga no Dragão. Mais golos – foi assim o jogo do FC Porto. Tão simples quanto isso.Os portistas venceram neste domingo por 2-1, um resultado que soará a injustiça para alguns minhotos, mas que se explica pela acutilância ofensiva do FC Porto num par de lances e premeia um treinador que trocou a magia pelo labor.Tal como Mourinho no Vitória-Benfica, quando lançou Barreiro, também Farioli chegou ao triunfo quando lançou em campo um atleta – foi Rosário, fulcral no golo decisivo, tal como Borja e Veiga.Sp. Braga mutávelO FC Porto lançou para este jogo Mora e William, procurando dotar a equipa de mais ferramentas técnicas – um entre linhas ou de frente para o jogo, na posição de médio-interior, e o outro aberto na direita, com um contra um para dentro. Mas nenhum deles pareceu estar em campo.O brasileiro teve pouca bola e o português foi “engolido” por um jogo disputado em cerca de 30 metros de terreno, na zona central, numa partida extremamente congestionada na zona central do campo – a partida teve muitas faltas e duelos também por causa disso e até bate certo com os minhotos, que são a segunda equipa da I Liga que mais tempo passa no terço central do terreno.
O Sp. Braga apresentava uma ideia de jogo curiosa, com uma versatilidade táctica impressionante no seu 3x4x3. Como ilustração disso, o mapa de posicionamento médio tinha Pau Victor, o ponta-de-lança, a pisar terrenos na zona mais recuada do círculo central (não, não está a ler mal), o avançado-interior esquerdo (Horta) como ponta-de-lança e o ala-direito (Dorgeles) mais fechado do que o central-direito (Gómez).Esta aparente bizarria posicional era resultado da tremenda variabilidade de soluções no momento ofensivo – e o Sp. Braga estava acima dos 60% de posse de bola.Havia saída a três, com Gómez como central, saída a quatro, com Gómez como lateral e Dorgeles projectado, e saída a quatro com Dorgeles mais baixo e Gómez como médio-interior – estas duas últimas pareciam mais eficazes a passar a pressão portista, que pareceu muito formatada para a saída a três do Sp. Braga.Mais do que as vias de saída importava a forma de jogar – e essa era quase sempre a mesma. De um lado, Pau Victor baixava em apoio e facilitar o jogo. Do outro, Samu fazia o mesmo no jogo directo do FC Porto.Com uma partida disputada em tão poucos metros e defesas tão subidas, fazia falta o ataque ao espaço que Zalazar, Horta, Pau Victor, Mora, William e Pepê não oferecem – talvez Samu fosse o único com características para isso, mas tinha o labor dos apoios frontais permanentes.
O Braga jogava – mesmo que com um só lance de perigo – e o FC Porto nem por isso. mas foram os portistas a chegarem ao golo aos 45’, com uma perda de bola minhota a dar espaço a Samu ainda muito longe da baliza – remate do espanhol e desvio em Mora que traiu Hornicek.Nota para o total desnorte posicional de Gorby neste lance, totalmente perdido e preso ao chão, deixando livre o espaço onde deveria estar.Mexidas de FarioliO golo não encaixava propriamente no que estava a ser o jogo, mas o Sp. Braga, apesar de mais controlador, também não justificava vantagem numa partida globalmente marcada pela falta de risco e de algum “caos” que trouxesse qualquer coisa diferente.Aos 52’, num canto claramente trabalhado, o Sp. Braga colocou Lagerbielke a fazer um bloqueio a Alberto (agarrões mútuos), para poder dar espaço a Zalazar para cruzar e celebrar o remate final de Gómez.À medida que os minutos passavam o domínio do Sp. Braga ficava ainda mais acentuado – posses de bola ainda mais prolongadas e soluções por dentro e por fora, mesmo que com pouco perigo (houve uma boa oportunidade para Navarro aos 72’). E foi por essa altura que Farioli ainda trocou William por Rosário.Poderia ser uma alteração defensiva, mas permitiu dar o músculo que foi útil na recuperação de bola de Rosário que deu grande oportunidade a Gul – e não tinha havido nenhuma melhor do que essa até então.E também foi essa troca, que levou Veiga para a direita e Borja para a esquerda, que deu o golo pouco depois. O médio lançou um passe à largura e Gómez, com uma má abordagem, foi batido pela acutilância de Borja, que se antecipou, isolou e finalizou.Uma vez mais, o golo portista não encaixava no que se passava em campo, mas premiava a agressividade dos jogadores lançados – Rosário, Veiga e Borja entraram muito enérgicos.










