Diretor de <em>Caramelo</em> chora quando vê o filme: “Ideia era tocar o coração das pessoas”
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Amado nos lares brasileiros, o vira-lata caramelo virou estrela de cinema. O filme Caramelo, lançado no último dia 8 de outubro, conquistou o TOP 3 mundial de longas mais assistidos na Netflix, sendo o TOP 1 de língua não-inglesa.A história teve a melhor semana de estreia de um filme original brasileiro na Netflix, sendo o preferido em 81 países. Na segunda semana, a produção seguiu entre os quatro filmes mais assistidos no mundo (o primeiro, considerando apenas filmes de língua não-inglesa). O longa também se tornou o título brasileiro de maior alcance mundial na Netflix, entrando no Top 10 em 90 países, incluindo Portugal, Canadá, França, Alemanha, Coreia do Sul e Japão.Em entrevista ao PÚBLICO Brasil, o diretor Diego Freitas diz que o longa, que mostra a relação de afeto vivida entre o chef Pedro (Rafael Vitti), e Amendoim, representa uma vitória para o Brasil e para o cinema nacional.“Conseguir fazer um filme que entre numa competição de igual para igual com produções internacionais é muito importante para mostrar nossa potência. Mostrar que a gente pode fazer o longa mais visto do mundo. Estar entre o TOP 3 reforça o talento do brasileiro e a força do nosso audiovisual. E, ainda por cima, fazer isso mostrando a nossa cultura. O cachorro caramelo, os elementos que fazem a gente ter orgulho de ser brasileiro, tudo isso, para mim, é muito importante e impactante”, comemora ele.Relação de amorE preparem os lencinhos de papel. É quase impossível não se emocionar com o drama do protagonista, que é diagnosticado com câncer, mas que encontra na amizade com Amendoim forças para lutar contra a doença. Para o diretor, a relação de amor entre o homem e um cachorro é universal.
Pedro (Rafael Vitti) e seu vira-lata caramelo: amizade que cura
Vans Bumbeers/ Netflix
“Conseguimos falar sobre algo tão específico do Brasil, mas, ao mesmo tempo, tão universal: a relação de amor entre humanos e cachorros. É a amizade entre duas espécies mais bem-sucedidas da natureza. É um filme que vem de dentro para fora. Um lugar de muita verdade, de vulnerabilidade, que fala sobre vida, morte, finitude e amor incondicional”, avalia ele, que se inspirou em sua cachorrinha Paçoca.O diretor confessa que se emociona todas as vezes que assiste à película. E que derramou muitas lágrimas durante todo o processo. “Chorei escrevendo, chorei editando, porque, quando você tem um cachorrinho na sua vida, ele faz tanta diferença. O amor que ele nos entrega é tão especial, tão único. Passar por um momento difícil, mas sabendo que você tem o apoio e o amor desse cachorrinho, é especial mesmo. Então, me emociono sempre, e acho que a ideia era essa: tocar o coração das pessoas”, aponta.Ator expressivoDurante as filmagens, uma equipe de 17 profissionais, liderada pelo treinador Luís Estrelas, e com consultoria do especialista americano Mike Miliotti (Garfield, O Filme), foi contratada para domar as 83 ferinhas que participaram de Caramelo. O diretor garante, porém, que o astro principal de quatro patinhas, apesar de gostar de destruir as coisas, como qualquer filhote, é um cachorrinho muito especial.“Precisávamos encontrar o cachorro ideal, aquele que representasse os vira-latas caramelo de todo o Brasil. Eu tinha uma imagem na minha mente, uma figura de como ele deveria ser. E descobri que eu não o encontrei, ele que nos encontrou. Apareceu filhotinho na porta da casa do irmão do treinador do filme, que se tornou o tutor dele. A partir daí, começou a ser treinado com todo amor para ser um astro de cinema (risos). E se mostrou um excelente ator. Aprendeu tudo com rapidez e facilidade”, frisa Freitas.
E ele se derrama por Amendoim. “É um cachorrinho especial, inteligente, esperto, que ama brincar e destruir, e isso está em várias cenas do filme. É perfeito, o melhor que eu poderia sonhar. Sempre entregava tudo. Bastava eu estar atento com a câmera para captar toda essa espontaneidade”, conta.Apesar do roteiro, algumas cenas do longa — produzido pela Migdal Filmes, em sua primeira parceria com a Netflix — foram improvisadas. Freitas assegura que a carinha fofa que Amedoim fazia, quando olhava para o personagem Pedro, na verdade era porque ele estava olhando para um petisco.“Houve muitos momentos inusitados. Na cena em que eles reformam o trailer, por exemplo, a ideia era que o Caramelo ficasse solto participando. E ele aprontou várias. Ele ia na lata de tinta, pegava o rolo e saía correndo com ele na boca, enquanto a equipe corria atrás pra tentar pegar o cachorro. Na cena com a Dona Zélia, ele aparece destruindo uma almofada no fundo do quadro. Aquilo foi um improviso total”, diverte-se o diretor.
Freitas entrega mais uma curiosidade. “Em vários momentos, ele parece estar olhando para o Pedro com emoção. Mas, na verdade, ele estava olhando para um petisquinho ou para o brinquedo dele (risos). Então, o Amendoim é um ator muito expressivo”, brinca.Adoção responsávelA Netflix ainda lançou uma campanha nacional de adoção responsável em parceria com o Instituto Caramelo. O site caramelofilme.com/adote, que abrange 12 ONGs em 15 estados do país, nos primeiros cinco dias da campanha, teve mais de 60 mil acessos. Outro motivo de celebração para a direção do projeto.“O filme traz uma mensagem de responsabilidade social. Mostramos a importância de adotar um vira-lata, de como a adoção pode transformar a sua vida. E está gerando reflexos no mundo real: existem leis sendo criadas para permitir cachorros em hospitais, e várias cidades estão copiando a ideia da Netflix de criar um banco de dados com cães disponíveis para adoção, cruzando tutores com cachorrinhos”, sublinha.”Esse é o maior legado que o filme poderia deixar: trazer luz para esse tema e inspirar as pessoas a tirarem cachorros da rua. Isso me faz sentir que a nossa missão foi cumprida”, frisa.
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