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"As sondagens são importantes e muito mal aproveitadas" pelos media


“As sondagens são importantes para os profissionais que fazem comunicação e muito mal aproveitadas na comunicação social”, afirmou Luís Paixão Martins, que falava numa formação do Parlamento Europeu para jovens jornalistas, na agência Lusa, em Lisboa.

O especialista deu como exemplo uma sondagem da Intercampus que apontava uma vantagem para João Noronha Lopes nas intenções de voto nas eleições para a presidência do Benfica. Contudo, este candidato ficou atrás de Rui Costa na primeira volta.
Paixão Martins precisou que a sondagem em causa foi realizada no estádio da Luz, em Lisboa, antes de um jogo de futebol, apontando que o resultado da mesma seria diferente antes ou depois da partida.
O antigo consultor ressalvou que a sondagem não estava errada, mas representava apenas uma amostra composta “pela malta que vai à bola e que vota no pavilhão e não na casa do Benfica”.
Assim, avisou que o grande problema das sondagens prende-se com uma “interpretação demasiado simplista” que se faz de algo que é “complexo”.
Na mesma sessão, o diretor-geral da Gfk Metris, António Gomes, defendeu que qualquer sondagem é, por si só, um instrumento de trabalho e explicou que, por lei, estas estão sujeitas a depósito junto do regulador, bem como ao cumprimento de um conjunto de normas.
“Nenhum de vocês pode criar uma empresa de sondagens hoje e começar, no dia seguinte, a publicar estudos políticos […]. Houve uma clara moralização para evitar que as sondagens pudessem ser utilizadas como marketing político”, sublinhou.
Em cima da mesa esteve também o tema das eleições europeias nos 27 Estados membros e, em particular, o que leva ou não os eleitores a participarem neste processo.
Luís Paixão Martins considerou ser difícil encontrar razões ideológicas, de transação ou ressentimento que levem ao voto, apesar de Portugal ser o país com maior percentagem de pessoas que gostam de fazer parte da União Europeia.
Por outro lado, notou que não existe uma “divergência entre os partidos […], uma disputa ou um frente a frente, que mobiliza muitas pessoas”.
Já o diretor-geral da Gfk Metris acredita que “alguma polarização doutrinária e ideológica” podem fazer das próximas europeias eleições “com mais sumo”, dando como exemplo a posição face ao conflito Israel-Palestina.
“Não acho que os portugueses se desinteressem, mas pensam que não é preciso votar [nas europeias], mas agora, do ponto de vista ideológico, algumas diferenças na própria família da Europa podem levar a alguma fricção”, acrescentou António Gomes.
Esta edição do programa de formação do Parlamento Europeu para jovens jornalistas decorreu durante três dias e abordou temas como a União Europeia, eleições, democracia, comunicação e desinformação.
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