"Não são precisos três Salazares porque nós já temos André Ventura"
O vice-presidente do Chega e deputado à Assembleia da República, Pedro Frazão, defendeu esta segunda-feira que “não são precisos três Salazares” porque Portugal já tem o líder do seu partido, André Ventura, que “vale mais do que três ou quatro Salazares”.
“Devo dizer que discordo do líder do meu partido. Acho que não são precisos três Salazares porque nós já temos André Ventura e André Ventura vale mais do que três ou quatro Salazares”, começou por referir em declarações à CNN Portugal.
O deputado disse “ter a certeza de que, quando André Ventura chegar a primeiro-ministro, trará estabilidade orçamental” e irá colocar “o país na ordem”.
Em causa está o facto de André Ventura ter afirmado que são necessários “três Salazares para pôr o país em ordem”, numa entrevista à SIC, na passada sexta-feira, ideia que voltou a defender num comício na Madeira.
Sobre o Orçamento do Estado para 2026, Pedro Frazão considerou tratar-se de “mais do mesmo” e “todos contra o Chega”. “Hoje, no debate orçamental, todos tentaram bater no Chega”, frisou.
Acusou ainda o Partido Socialista (PS) de ser “uma muleta” do PSD por viabilizar o Orçamento do Estado e lamentou que os restantes partidos, “em vez de fazerem oposição a Luís Montenegro”, tenham “escolhido atacar o Chega”.
“São todos contra o Chega. Porquê? Porque, de facto, identificam que o Chega é uma força fulgurante na política portuguesa”, atirou.
Polémica dos “três Salazares” começou em entrevista: “País está podre de corrupção, impunidade e bandidagem”
Na sexta-feira, durante uma entrevista à SIC, Ventura defendeu que “há uma epidemia de corrupção em Portugal” e que é “preciso outro regime”.
“Temos mais bandidos à solta do que na cadeia. Temos políticos que foram condenados por corrupção a serem presidentes de câmara, ministros, a receber pensões vitalícias… É o bar aberto da República”, atirou.
“Não era preciso um Salazar, eram precisos três Salazares para pôr isto na ordem”, disse, de forma a ilustrar o quanto considera que “o país está podre de corrupção, impunidade e bandidagem”.
Já no domingo, durante um almoço-comício na Madeira, André Ventura, que é candidato às eleições presidenciais de janeiro, distanciou-se dos valores de Abril e voltou a defender a necessidade de “três Salazares” para reerguer Portugal.
“Só é preciso três Salazares porque eles deixaram isto tornar-se uma bandalheira completa, só é preciso três Salazares porque deixaram isto inundar de corrupção, só é preciso três Salazares porque deixaram entrar toda a gente sem pedir cadastro”, argumentou o também líder do Chega, salientando que, na Madeira, por exemplo, bastava só um ou dois para acabar com a “bandalheira da droga”.
O tema foi abordado na Assembleia da República, durante o debate para o Orçamento do Estado, com primeiro-ministro a alertar Ventura que “a ditadura não combate a corrupção, a ditadura é ela própria a corrupção”.
“Se o senhor deputado quer juntar a três Salazares, dois Pedro Sánchez é opção sua, mas não é a minha”, indicou Montenegro.
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