Numa altura de incertezas internas, a constância: BE vota contra Orçamento do Estado
Sem qualquer surpresa, o Bloco de Esquerda vai votar contra o Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). O anúncio foi feito pela coordenadora do partido, Mariana Mortágua, depois da reunião da Mesa Nacional do partido que também analisou o “ciclo de derrotas eleitorais”. Sem falar do futuro da liderança do partido, Mortágua aproveitou para acusar PS de passar “cheque” à política de direita.Afirmando que “PSD governa” e que o “Chega domina a agenda”, Mariana Mortágua procurou este domingo colar os socialistas à política de Luís Montenegro com um “o PS passa o cheque”. Em causa, a anunciada abstenção dos socialistas na proposta de Orçamento do Governo que, para o Bloco, peca por colocar “todos os trabalhadores a pagar borla fiscal aos grandes bancos” e por ter um “problema de transparência” já identificado pelo Conselho das Finanças Públicas.Por esses motivos, o voto do Bloco na votação da próxima terça-feira, “não surpreende”, e será contra.Ainda em matéria de OE, Mariana Mortágua foi questionada pelo facto de o PS, apesar da abstenção, querer subir de forma permanente as pensões mais baixas. Mortágua afirmou que o Bloco de Esquerda estará sempre ao lado de um aumento estrutural das pensões, mas virou o discurso para atacar novamente o PS.Destacando que a comissária europeia portuguesa, Maria Luís Albuquerque, defendeu que “devem existir medidas de criação de obrigatoriedade de privatização de partes da segurança social”, a coordenadora do BE afirmou também que a ministra da tutela foi ao Parlamento apresentar o OE sem conseguir “garantir que não vai privatizar partes da segurança social”.“Como é que se viabiliza um Orçamento com política radicalizada à direita e que, o próprio PS diz, pode incluir a privatização da segurança social”, questionou a deputada notando que “joga-se muito mais do que a décima do défice neste Orçamento”.Silêncio sobre futuroEstas declarações surgem um dia depois da notícia de que Mariana Mortágua não se recandidata à liderança do Bloco de Esquerda e deixa o lugar de deputada quando terminar o processo eleitoral, no entanto, não quer falar mais sobre o tema neste momento.Questionada, Mortágua remete para a Convenção do partido que acontecerá em Novembro, explicando que a decisão foi tomada e comunicada antes para que não fossem confundidos os vários planos.Certo é que do lado da Moção A — aquela que até este sábado era encabeçada por Mortágua —, não existem notícias de substituição. No espaço público apenas houve um nome a surgir — o de José Manuel Pureza —, mas que o próprio quis afastar, numa nota à Lusa, para que não se precipitem cenários.A reflexão de Mariana Mortágua, disse a própria no sábado, começou depois do desaire das legislativas e confirmou-se com os resultados autárquicos que estiveram na agenda da Mesa Nacional do partido.“Falámos internamente sobre como os resultados foram francamente negativos”, disse Mortágua, sublinhando que o partido ficou com menos representantes autárquicos um pouco por todo o território nacional e que “esta nova circunstância” coloca “desafios sobre como o partido “deve organizar a ligação territorial”. No entanto, esse deverá ser também tema que pertencerá à Convenção do partido do próximo mês de Novembro.










